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O texto publicado anteriormente contém uma incorreção no terceiro parágrafo. O número de funcionários da nova empresa criada entre a associação do grupo Pão de Açúcar e a Casas Bahia é de 68 mil e não 65 mil.

Segue o texto corrigido:

São Paulo, 4 - A associação da Casas Bahia com o grupo Pão de Açúcar, anunciada hoje cedo, irá garantir à companhia do empresário Abílio Diniz a liderança no varejo de bens duráveis. Isso significa uma importante reconfiguração do setor. Até o final do ano passado, o grupo Pão de Açúcar, que na época atuava no setor por meio das bandeiras Extra-Eletro, Extra-Hiper e Extra.com, não figurava nem entre as seis primeiras redes no mercado. Outro fato importante da operação é que o Pão de Açúcar consolida o avanço nas classes de menor poder aquisitivo, C, D e E.

O crescimento do grupo Pão de Açúcar no chamado mercado "não-alimentos" teve início com a aquisição, em junho deste ano, do Ponto Frio, segunda maior deste segmento. O valor da transação foi de R$ 824,5 milhões. Com isso, o grupo se tornou o segundo maior, com faturamento bruto de R$ 7 bilhões na área. Com a associação com a Casas Bahia, líder até então, a receita bruta no varejo de bens duráveis passou a somar R$ 18,1 bilhões (dados de 2008), alcançando a liderança neste mercado. A segunda colocada, a partir de agora, é o Magazine Luiza.

"Essa é uma operação bombástica, até porque o Pão de Açúcar tinha acabado de comprar o Ponto Frio e essa aquisição ainda não tinha começado a apresentar os resultados", afirma o sócio responsável pela área da indústria de varejo e bens de consumo da Deloitte, Reynaldo Saad. A nova empresa resultante da unificação das operações de Pão de Açúcar e Casas Bahia nasce com 1.015 lojas, 68 mil funcionários e 28 centros de distribuição. "Observamos que há um movimento forte de consolidação em alguns segmentos do varejo", avaliou.

O executivo explicou que um dos fatores fundamentais para expansão do mercado varejista de bens duráveis é o acesso, pelos consumidores, de crédito. Nesse contexto, a associação com a Casas Bahia faz todo sentido ao Pão de Açúcar. "O consumo de bens duráveis é sensível ao crédito, o que não ocorre tanto no mercado de alimentos", disse Saad. A Casas Bahia é, sem dúvida, uma das empresas mais bem sucedidas nesse modelo de negócio. Tanto que boa parte do seu sucesso junto aos consumidores decorre das condições extremamente flexíveis de financiamento.

Além do gigantismo e dos ganhos de escala, outro atrativo da associação é a complementaridade das operações em seus mercados-alvo. Apresentação do Pão de Açúcar mostra que o perfil do Ponto Frio são os públicos A, B e C. A Casas Bahia, por sua vez, possui exposição às classes C, D e E, que devem registrar forte crescimento no curto prazo com a expansão da renda da população brasileira. Com isso, o Pão de Açúcar se coloca como o único grupo a se posicionar em todas as classes no varejo de bens duráveis.

"O Pão de Açúcar está adotando no mercado de não-alimentos a mesma estratégia que usa no mercado de alimentos, que é a atuação por clusters", explicou Saad. Como exemplo, o executivo citou que a bandeira Pão de Açúcar é voltada para as classes de maior poder aquisitivo (A e B), enquanto as marcas Assai e CompreBem são dirigidas aos consumidores de menor renda. "Esse é um movimento que vem acontecendo em todas as redes varejistas", acrescentou.

A associação com a Casas Bahia consolida a estratégia do grupo Pão de Açúcar em avançar nas classes de menor poder aquisitivo. No meio de 2009, a empresa ampliou sua participação, de 60% para 100%, na rede Assai, braço de "atacarejo" do grupo. O valor da operação foi de R$ 175 milhões. A justificativa para esta aquisição foi a de que a Assai, voltada ao público de menor renda, apresenta rápido crescimento. "Isso demonstra que as redes varejistas estão se mobilizando para se posicionar e aproveitar a melhoria na renda dos consumidores", disse.

O anúncio da associação entre Casas Bahia e Pão de Açúcar também deve repercutir entre os concorrentes. Para Saad, a saída para as empresas de pequeno e médio porte para sobreviver e crescer neste novo cenário são duas: focar no consumidor e buscar recursos para ganhar musculatura e escala. "As outras redes terão que buscar diferenciais, avaliando o que o consumidor deseja. Além disso, terão que buscar capital, seja por IPO ou de fundos de private equity, para crescer e ganhar escala", disse. O executivo não crê em um movimento de fusão entre essas empresas.

A operação com a Casas Bahia representa o terceiro movimento relevante de expansão do grupo Pão de Açúcar este ano, considerando a compra do Ponto Frio e o aumento de participação na rede Assai. Essas operações se enquadram na estratégia do grupo de crescimento para o período entre 2009-2012, que tem como uma das metas a expansão agressiva com altos retornos, conforme consta em apresentação disponível no site da empresa.

Com isso, o grupo Pão de Açúcar passa a deter um faturamento bruto de R$ 40 bilhões, com 1.807 lojas. Desse valor, quase 50% virá do mercado de não-alimentos, tornando o portfólio mais equilibrado. "Esse faturamento total do Pão de Açúcar é praticamente o dobro do Carrefour, que está em segundo lugar", afirmou Saad, ressaltando que o grupo irá se posicionar como um dos maiores empregadores do País. Para o executivo da Deloitte, tanto o Carrefour quanto o Wal-Mart devem continuar focando a estratégia de crescimento no mercado de alimentos.

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