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O risco da alta recente da inflação continuar por mais tempo e ameaçar o cumprimento das metas levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a "agir de forma incisiva" e subir os juros em 0,75 ponto porcentual na semana passada para 9,50%. A explicação consta da ata da última reunião do Copom, divulgada ontem pelo Banco Central.

O risco da alta recente da inflação continuar por mais tempo e ameaçar o cumprimento das metas levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a "agir de forma incisiva" e subir os juros em 0,75 ponto porcentual na semana passada para 9,50%. A explicação consta da ata da última reunião do Copom, divulgada ontem pelo Banco Central. "Prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que competiria à política monetária agir de forma incisiva para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos", relata a ata, sem sinalizar a magnitude da próxima alta de juros. Na visão do BC, esse risco decorre principalmente do aquecimento da economia, que já se encontra em um "novo ciclo de expansão". A convicção da autoridade monetária de que a economia está em um ritmo mais forte do que ela pode aguentar sem gerar inflação decorre de quatro sinais: a alta dos núcleos de inflação (medida que desconsidera algumas variações específicas em itens dos índices de preços), a escassez de mão de obra em alguns segmentos, a elevação dos custos de insumos e também a alta das expectativas de inflação. "Nesse período, as projeções de inflação consideradas pelo Comitê mostraram certa deterioração no cenário prospectivo. Esgotamento. O Copom deu especial ênfase ao "virtual esgotamento" da folga no parque produtivo para atender à crescente procura de bens pela população. Essa situação reforça os riscos para o controle da inflação. "Os principais riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno derivam, no âmbito externo, de elevações adicionais dos preços de commodities; e, no interno, do impulso fiscal e creditício sobre a evolução da demanda, em contexto de virtual esgotamento da margem de ociosidade na utilização dos fatores de produção", diz o BC. O comitê entende que há um "descompasso entre o ritmo de expansão da oferta e da demanda" que precisa ser revertido, sob pena de a inflação subir. A autoridade monetária também mencionou que a atividade econômica ainda pode se intensificar por conta dos chamados impulsos fiscais - que decorrem do aumento de gastos do governo e algumas desonerações tributárias - e também da atuação dos bancos públicos para ampliar o volume de crédito na economia. O agravamento da crise na Europa, que pode frear a retomada da economia mundial, levou o Copom a colocar uma ressalva: as próximas decisões sobre os juros levarão em conta essa situação e a continuidade da reversão de medidas de estímulo adotadas na crise no ano passado. "Os efeitos desses estímulos (fiscais e creditícios), bem como os da reversão de parcela substancial das iniciativas tomadas durante a recente crise financeira internacional e os de um eventual agravamento da crise fiscal porque passam diversos países europeus, são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas", diz o Copom. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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