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SÃO PAULO - Dando continuidade ao ajuste iniciado ao final da tarde de ontem, os contratos de juros futuros apontam para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o gestor de renda fixa da Global Equity, Octávio Vaz, as curvas chegaram a um ponto em que o prêmio de risco para ficar aplicado não compensa muito.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 apontava alta de 0,05 ponto percentual, para 12,04%. O contrato para janeiro 2011 tinha valorização de 0,08 ponto, a 12,05%. E janeiro 2012 apontava 12,20%, aumento de 0,15 ponto.

Já na ponta curta, ainda há espaço para apostas de baixa e o DI para julho de 2009 caía 0,02 ponto, para 12,58% ao ano. E o vencimento para março de 2009 caía 0,01 ponto, a 13,23%.

O especialista lembra que as curvas registram constante movimento de baixa desde a segunda semana de novembro do ano passado, projetando corte na taxa básica de juros. O vencimento janeiro de 2010, referência por ser o mais líquido, já embute a possibilidade de quarto cortes meio ponto percentual na Selic, redução de juros bastante alinhada ao consenso de mercado.

" Para entrar no mercado agora o investidor tem que acreditar que o Copom vai ser mais agressivo ou que a atividade econômica vai cair ainda mais " , resume.

Ainda de acordo com Vaz, o mercado pode estar exagerando no otimismo, pois o Banco Central é bastante conservador em seus movimentos de queda na taxa de juros.

Para a reunião de 21 de janeiro, o gestor acredita que a autoridade monetária deve cortar a Selic de 13,75% para 13,25%. E que tal ritmo de redução deve ser mantido por ao menos outras três reuniões.

Vaz alerta que o conservadorismo do BC pode custar caro a economia brasileira, caso o ritmo de atividade caía muito forte. Por ser uma economia relativamente fechada, o Brasil demora mais a sentir o impacto do que acontece no mundo, mas por essa mesma razão, leva mais tempo para se recuperar.

O aumento nos prêmios de risco, hoje, acontece mesmo com a divulgação de mais um indicador apontando arrefecimento da inflação. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) apontou deflação de 0,44% em dezembro, abaixo do piso das estimativas e menor que a alta de 0,07% de novembro. Em 2008, o indicador avançou 9,10%.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza o primeiro leilão de 2009 no mercado interno. Serão ofertadas Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Ontem, o Tesouro acessou o mercado externo, colocando US$ 1,025 bilhão em título com vencimento em 2019.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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