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As intenções de compras para o Natal deste ano estão melhores do que as do ano passado, influenciadas por um otimismo dos consumidores de alta e média renda. É o que revelou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou a pesquisa Quesitos Especiais da Sondagem das Expectativas do Consumidor.

Segundo a economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Viviane Seda Bittencourt, os consumidores mais abastados estão confiantes que o pior da crise já passou e se mostram estimulados a comprar mais do que no final do ano passado - época em que havia ainda um alto grau de incerteza sobre a extensão e a duração da crise.

O universo da pesquisa abrange amostra de mais de 2 mil domicílios em sete das principais capitais do País. Em 2009, a parcela dos consumidores que informaram na pesquisa que vão gastar mais este ano com compras de Natal do que gastaram no ano passado foi de 14,0% - sendo que, no final de 2008, o porcentual de respostas para esta mesma pergunta foi de 9,3%. Já a fatia dos consumidores entrevistados que pretendem gastar menos caiu de 44,8% para 34,2% de 2008 para 2009. "As intenções de compras do Natal no ano passado foram muito afetadas pela crise. Agora as famílias, principalmente nas faixas de renda mais elevada, estão sentindo uma convergência de fatores positivos, como melhora na renda e no mercado de trabalho, e estão mais otimistas", disse.

No entanto, a pesquisadora fez uma ressalva. Ao focar a pesquisa nas famílias mais pobres, com renda mensal familiar de até R$ 2.100, a parcela dos consumidores pesquisados que pretendem gastar mais neste Natal caiu de 11,5% para 9,5%. "O consumidor de baixa renda antecipou muito as compras este ano, devido aos vários incentivos fiscais do governo para gastos com produtos de linha branca", disse, lembrando do recuo no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) definido pelo governo para estimular compras de geladeiras e freezers. "Pode ser que este consumidor esteja mais cauteloso quanto ao futuro de suas finanças, já que comprometeu mais sua renda ao longo do ano", avaliou.

A redução do IPI feita pelo governo acabou influenciando a lista de preferências do consumidor quanto aos presentes de Natal. Pelo terceiro ano consecutivo, itens de vestuário foram os mais lembrados, sendo citados por 46% dos consumidores pesquisados, seguido por brinquedos (18,6%). Mas embora produtos eletrônicos e eletrodomésticos tenham permanecido na terceira posição na lista de presentes nomeados, o porcentual de consumidores entrevistados que lembraram deste tipo de produto subiu de 7,1% para 9,1% de 2008 para 2009. "Foi uma diferença expressiva entre um ano e outro. O recuo do IPI deve ter influenciado no resultado", afirmou a especialista.

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