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WASHINGTON (Reuters) - O início de construção de moradias caiu nos Estados Unidos, com tempestades de inverno em algumas partes do país interrompendo obras, enquanto uma queda nos preços dos produtos importados indica pressões inflacionárias controladas. O Departamento do Comércio norte-americano disse que o início de construção de moradias caiu 5,9 por cento, para uma taxa anual de 575 mil, com ajuste sazonal, revertendo os ganhos do mês anterior. Analistas ouvidos pela Reuters esperavam uma queda para 570 mil unidades.

O relatório veio no momento em que autoridades do Federal Reserve começam a reunião de política monetária. O banco central dos EUA deve manter as taxas de juros perto de zero e se comprometer a deixá-las "excepcionalmente baixas" por um "período prolongado" por causa dos altos níveis de desemprego.

Os preços de importados nos EUA caíram 0,3 por cento em fevereiro, derrubados por uma baixa no petróleo e em outros produtos ligados a commodities, afirmou o Departamento do Trabalho nesta terça-feira. Trata-se da primeira queda mensal desde julho, mas está praticamente em linha com a previsão de analistas de declínio de 0,2 por cento.

Os índices futuros das bolsas de valores dos Estados Unidos subiram modestamente após a divulgação dos dados, enquanto o preço do título da dívida do Tesouro ampliou as perdas. O dólar manteve a desvalorização ante o euro e os ganhos ante o iene.

"O número de início de construção de moradias não é grande coisa. Seria uma grande surpresa se o Fed fizesse algo hoje. Eles permanecem muito preocupados sobre a saúde da economia, uma vez que o desemprego continua horrível e os consumidores cautelosos", disse Gary Shilling, presidente da A. Gary Shilling & Co em Springfield, de Nova Jersey.

A recuperação do mercado imobiliário, ajudada pelo governo dos EUA, mostra sinais de hesitação, mas analistas acreditam que uma melhora no mercado de trabalho e no cenário econômico mais amplo vão impedir outro colapso no setor.

Medidas como o crédito tributário para a primeira casa própria, compra de ativos ligados a hipotecas e modificações e empréstimos sustentaram as vendas de imóveis e reduziram o ritmo da queda nos preços.

O dado sobre o início de construção de moradias da janeiro foi revisado para 611 mil unidades, ante o número de 591 mil divulgado anteriormente. Ante fevereiro do ano passado, o início de construção de moradias subiu 0,2 por cento.

A construção de casas para uma só família caiu 0,6 por cento no mês passado, para uma taxa anual de 499 mil unidades, após subir 4,4 por cento em janeiro. O início de construção no volátil segmento de imóveis para mais de uma família caiu 30,3 por cento, para um ritmo anual de 76 mil unidades, depois de avançar 18,5 por cento em janeiro.

A confiança das construtoras foi a menor neste mês, devido à falta de crédito para novos projetos e a uma onda de propriedades embargadas afetando o mercado. Propriedades como essas são tipicamente vendidas abaixo do valor de mercado e podem lotar o mercado imobiliário.

O número de alvarás para novas construções, que dão uma noção da futura construção de moradias, caiu 1,6 por cento, para 612 mil unidades em fevereiro, segundo mês consecutivo de queda, disse o Departamento do Comércio. A previsão de analistas era de 610 mil unidades.

(Reportagem de Lucia Mutikani e Doug Palmer)

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