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São Paulo, 9 - A consolidação do setor sucroalcooleiro deverá ser realizada em três frentes distintas, de acordo com Eduardo Pereira de Carvalho, sócio da Expressão Gestão Empresarial, ex-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e ex-diretor da ETH Bioenergia. Segundo ele, a primeira frente é formada pelas tradings comerciais e de alimentos.

"A Bunge adquiriu a Moema, a Louis Dreyfus comprou a Santelisa Vale e existem outras que estão rondando o mercado ou fazendo pequenas aquisições", afirma.

Nos últimos meses, Cargill, ADM e Nobel tentaram marcar posição neste mercado mas sem sucesso. "Hoje, as tradings ganham apenas com a comercialização do açúcar, mas elas têm noção de que se estiverem na produção terão informações importantíssimas sobre o custo de produção que vão ampliar os ganhos na fixação de preços", explica Carvalho.

Além disso, estas empresas apostam na expansão do mercado etanol no médio prazo. Hoje, 90% deste mercado está direcionado ao mercado interno, mas, em breve, e principalmente com a aprovação da lei da Califórnia e do reconhecimento da Agência Ambiental dos Estados Unidos que o etanol de cana é o melhor em redução das emissões, a expectativa é de que o mercado americano vai se abrir e comercializar etanol será um grande negócio.


Uma segunda frente para a consolidação do setor seria formada pela vinda de empresas sucroalcooleiras indianas para o Brasil. Carvalho cita a Shree Renuka Sugars Ltd, que levou 50% da Equipav e outras duas usinas no Estado do Paraná. "Com dois lances, eles já detém uma moagem de 12 milhões de toneladas", disse. Para Carvalho, muitas empresas indianas já procuram oportunidades no Brasil e outras virão. "O mercado indiano é o principal mercado de açúcar do mundo, hoje com uma expectativa enorme de crescimento no consumo per capita", explica.

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