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O Conselho de Consumidores da Light contesta as afirmações da companhia, de que foi pega desprevenida com o aumento do consumo, para justificar os apagões na região metropolitana do Rio. Segundo o presidente do conselho, Antônio Florêncio, a empresa vem recebendo, desde maio, pesquisas que apontam o crescimento nas vendas de eletrodomésticos.

Florêncio avalia que a Light tem direcionado seus investimentos apenas para o combate ao furto de energia.

"O aumento do consumo não é surpresa. A Federação do Comércio (Fecomércio) vem repassando à Light dados sobre vendas de eletrodomésticos. Nos últimos meses, ventiladores e ar-condicionado estão no topo das intenções de compras", diz Florêncio. Criado em 1993, o Conselho de Consumidores é formado por associações de classe e tem como papel intermediar a relação com as distribuidoras de energia, por meio de encontros mensais.

Florêncio reconhece que a companhia vem realizando altos investimentos nos últimos anos, mas avalia que há foco excessivo na redução do furto de energia, em detrimento de reforços na expansão da rede de distribuição.

Em nota oficial, a Light afirmou que faz frequentes revisões de seu planejamento e negou a relação entre os investimentos em redução de perdas e os problemas de abastecimento das últimas semanas.

O Conselho de Consumidores propôs à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o uso de recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) na regularização de consumidores informais do Rio. A conta é hoje usada para financiar o programa Luz para Todos, mas, segundo Florêncio, poderia contribuir com o combate ao furto de energia no Rio.

"Os consumidores da Light contribuem com R$ 200 milhões por ano para a CDE, mas o governo federal só repassa cerca de R$ 10 milhões ao Estado", disse Florêncio. O índice de perdas de energia da Light é de cerca de 20%.

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