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Disputa desta segunda-feira teve como vencedores três consórcios de capital misto, nacional e estrangeiro

Guarulhos ficou com consórcio dominado pela Invepar, que tem apenas uma empresa privada no controle (OAS). A maior parte do capital é de fundos de pensão, como o Previ.
Agência Estado
Guarulhos ficou com consórcio dominado pela Invepar, que tem apenas uma empresa privada no controle (OAS). A maior parte do capital é de fundos de pensão, como o Previ.
O leilão dos aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília, realizado em São Paulo nesta segunda-feira, teve como vencedores três consórcios de capital misto, nacional e estrangeiro. Guarulhos ficou com o Invepar – ACSA, por R$ 16,213 bilhões, e o Inframérica Aeroportos levou Viracopos, com proposta de R$ 3,821 bilhões. Brasília foi para o Aeroportos Brasil, depois de alguns lances, por R$ 4,51 bilhões. Conheça cada um deles:

Invepar – ACSA

Com 90% de participação no consórcio, a Invepar é quase toda de propriedade dos fundos de pensão das maiores estatais brasileiras. O maior acionista da Invepar é a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Previ, o maior fundo de pensão brasileiro, com 36,85%. Logo depois, em segundo, vem a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, com 25%, e, por último, o fundo de pensão da Caixa Econômica Federal, com 20,48%. Apesar de serem de propriedade dos funcionários dessas estatais, os três fundos são controlados, historicamente, por representantes ligados ao Planalto. Somente a construtora baiana OAS, uma das cinco maiores do país, é de capital privado. Ela é dona de 17,67% das ações da companhia.

É a primeira vez que a Invepar investe em aeroportos. No entanto, já opera diversas estradas privatizadas em diferentes estados brasileiros. Entre elas, a Linha Amarela, no Rio de Janeiro; a CART, que administra trechos da Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo, e a Concessionária Rota do Atlântico, que administra os 45 quilômetros de extensão do Complexo Viário e Logístico Suape, em Pernambuco. Além disso, a Invepar tem a concessão do Metrô do Rio de Janeiro, pelos próximos 25 anos.

Sua parceira no negócio é a sul-africana ACSA, que será a responsável pela operação de fato do aeroporto de Guarulhos. Em seu país de origem, a companhia é a maior do ramo, administrando os nove maiores terminais.

Inframérica Aeroportos

O consórcio que vai administrar o aeroporto internacional Juscelino Kubtschek, em Brasília, por 25 anos, é uma sociedade meio a meio entre a brasileira Infravix Participações SA, braço do Grupo Engevix na área de infraestrutura, e da empresa argentina Corporación America SA.

É, talvez, o grupo com mais experiência na área no Brasil. Já havia vencido, no ano passado, a disputa pelo terminal de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, com lance de R$ 170 milhões, pagando ágio de 228,8% - lá os investimentos previstos são de R$ 650 milhões e a concessão de 25 anos. Além disso, a Engevix, controladora da Infravix, participou dos projetos e das obras de modernização de cerca de 15 aeroportos no Brasil, com destaque para os terminais do Galeão, no Rio de Janeiro, Confins, em Belo Horizonte e Congonhas, em São Paulo.

Por sua vez, a Corporación America, de origem argentina, é uma holding com atuação em diversos setores, da indústria têxtil ao varejo, passando pelo agronegócio e comunicações. Em infraestrutura, opera mais de 1.200 quilômetros de estradas e 33 aeroportos na Argentina, sendo responsável pelos terminais que concentram 90 do tráfego de passageiros no país. Ainda na gestão de terminais aéreos, é responsável pela administração de aeroportos no Peru, Equador, Uruguai, Armênia e Itália.

Ao longo do caminho, na Argentina, teve desentendimentos com a Gol. E, segundo Cláudio Jorge Pinto Alves, professor do ITA que já foi cotado para a presidência da Anac, não pagou concessões que ganhou na Argentina. “Foi em outro momento histórico. Mas fica a pulga atrás da orelha”, diz.

O presidente do consórcio, José Antunes Sobrinho, afirmou que espera taxas de retorno de dois dígitos pelo investimento em Brasília.

Aeroportos Brasil

O consórcio Aeroportos Brasil, vencedor da disputa por Viracopos, é o único a ter entre os participantes uma empresa europeia. A Egis Airpot, dona de 10% do negócio, é de origem francesa. Os outros participantes são, a UTC Participações, com 45%, e a TPI (Triunfo Participações e Investimentos S.A., com o mesmo percentual (45%), são brasileiros.

Ricardo Pessôa, da UTC: compra da Constran, em 2010, teve como objetivo a participação em leilões como o desta segunda-feira.
Ivone Perez
Ricardo Pessôa, da UTC: compra da Constran, em 2010, teve como objetivo a participação em leilões como o desta segunda-feira.
A UTC, que em 2010 figurava na nona colocação na lista das maiores companhias de engenharia do país, com faturamento de R$ 1,464 bilhão – segundo levantamento da revista O Empreiteiro –, teve origem no ramo de montagem e construção industrial. Há dois anos, porém, seu fundador, Ricardo Pessoa, comprou a Constran, que já pertenceu a Olacyr de Moraes, ex-rei da soja, e figurou na lista das maiores do setor de construção no país, ao lado de Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Andrade Gutierrez e OAS.

O objetivo da aquisição, na época, foi justamente a qualificação para concorrências como a de agora, participação em grandes obras de infraestrutura e fornecimento de equipamentos pesados para a Petrobras. Tem no currículo a construção de unidades de refinarias da estatal de capital misto, como a Alberto Pasqualini (RS), a Presidente Getúlio Vargas (PR) e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Por sua vez, a Triunfo já atuava no setor de infraestrutura nas áreas rodoviária, portuária e de geração de energia elétrica. É controladora de três rodovias nas Regiões Sul e Sudeste (Concepa, Concer e Econorte); tem participação em um dos poucos portos de cargas mistas do Brasil, o Terminal Portuário de Navegantes, através da Portonave, e é titular de uma concessão para explorar a Usina Hidrelétrica Salto, em Goiás, com capacidade de geração de 116 MW. É dona ainda de uma área de 190 hectares no porto de Santos, onde pretende construir um empreendimento portuário; detém participação em empresas de navegação de cabotagem (NTL e Vessel-Log), na trading Iceport.

Como gestora de aeroportos, a francesa Egis opera onze terminais, quese todos fora da Europa, com movimentação de 13 milhões pessoas e 200 mil toneladas de carga de frete por ano. Entre eles estão os de Adidjan, na Costa do Marfim; Pafos e Larnaka, na ilha de Chipre; Bora Bora, Raiatea, Tahiti-Faa’a e Rangiroa, na Polinésia Francesa. A companhia atua também como consultora no desenvolvimento de projetos, estratégias de negócios e dimensionamento de investimentos para a aeroportos.

Veja os vencedores dos aeroportos:

Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas/SP)
Vencedor: Consórcio Aeroportos Brasil
Preço final: R$ 3,821 bilhões
Preço mínimo: R$ 1,5 bilhão
Ágio: 159,75%
Prazo de concessão: 30 anos
Investimentos até a Copa do Mundo: R$ 873,05 milhões
Investimentos totais: R$ 8,7 bilhões
Contribuição anual ao FNAC*: 5% da receita bruta

Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro (Guarulhos/SP)
Vencedor: Consórcio Invepar ACSA
Preço final: R$ 16,213 bilhões
Preço mínimo: R$ 3,4 bilhões
Ágio: 373,51%
Prazo de concessão: 20 anos
Investimentos até a Copa do Mundo: R$ 1,38 bilhão
Investimentos totais: R$ 4,6 bilhões
Contribuição anual ao FNAC*: 10% da receita bruta

Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek (Brasília/DF)
Vencedor: Consórcio InfrAmérica
Preço final: R$ 4,51 bilhões
Preço mínimo: R$ 582 milhões
Ágio: 673,39%
Prazo de concessão: 25 anos
Investimentos até a Copa do Mundo: R$ 626,53 milhões
Investimentos totais: R$ 2,8 bilhões
Contribuição anual ao FNAC*: 2% da receita bruta

* Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC)