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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro subiu para 0,78% - a maior taxa mensal desde maio de 2008 - e deve reforçar a expectativa de que a pressão de alta de inflação vai chegar a 2011. Na semana passada, a pesquisa Focus do Banco Central mostrou que a expectativa para o IPCA em 2011 passou de 4,5%, que é o centro da meta, para 4,53%. ¿Há três fatores de risco muito importantes e o consumidor deve começar a se proteger¿, afirma o professor de Finanças da FIA, Ricardo José de Almeida.

De acordo com o professor, o primeiro e maior fator de risco para a inflação em 2011 é o comportamento dos preços administrados. O professor de Finanças da FIA explica que os reajustes deste ano devem ser postergados para 2011, o que deve pressionar em dobro a inflação no período.

Como são preços que independem da oferta e demanda e são estabelecidos por contrato ou órgão público, não devem ser elevados neste ano por conta das eleições. O reajuste deve ser empurrado para 2011, mas será maior, explica o professor da Universidade de São Paulo (USP), Antonio Evaldo Comune.

Os outros dois fatores de risco e que já exercem pressão sobre os índices de preços neste ano são: dólar em alta e expectativa de elevação dos preços das commodities (soja, trigo, arroz, feijão, café, petróleo, minério de ferro, aço etc).

 A economia mundial deve dar sinais de aquecimento no segundo semestre. Com isso, a demanda por alimentos e energia voltará a crescer, avalia Comune.

Almeida destaca que os últimos números do Índice de Preços no Atacado (IPA) já mostram esta pressão. Em janeiro, ficou em 0,51%. No mês seguinte saltou para 1,42%.

Prepare-se

Diante da expectativa de inflação mais alta neste ano e no próximo, o professor de Finanças da FIA recomenda controle de orçamento. O consumidor não deve se iludir com a facilidade para obter crédito. A idéia agora é deixar as contas no azul e, se possível, economizar.

Ele explica que a inflação em alta levará o Banco Central a aumentar as taxas de juros e isso terá impacto direto na ponta do consumidor. As taxas de cheque especial, crédito pessoal, Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e cartão de crédito ficarão mais salgadas. Não é hora para ficar endividado, afirma.

Em relação a investimentos, ele indica as aplicações com juros pós-fixados, como os fundos DI, e os títulos e aplicações que pagam a variação dos índices de inflação. De acordo com Almeida, esta é a melhor maneira para preservar o poder de compra dos salários.

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