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Analistas acreditam que a popularidade da presidente e de seu governo continuará em alta enquanto o desemprego estiver em baixa

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A aprovação recorde de 77% da presidente Dilma Rousseff , divulgada nesta quarta-feira pela pesquisa CNI/Ibope, é vista por analistas políticos como um indicador do bem-estar da população diante dos altos níveis de emprego e da elevada expectativa de consumo. Para os cientistas, independentemente da firmeza de Dilma no trato com a classe política e seu "estilo próprio de governar", a popularidade da presidente e de seu governo continuará em alta enquanto o desemprego estiver em baixa e o brasileiro disposto a gastar. "O principal ponto da pesquisa é que o brasileiro está muito bem, obrigado, e a pesquisa é um indicador de bem-estar", resumiu o cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Abrucio.

Popularidade de Dilma bate recorde
AFP
Popularidade de Dilma bate recorde
Com os números da economia apontando que o País se aproxima do pleno emprego (a taxa oficial de desemprego divulgada pelo IBGE foi de 5,70% em fevereiro), que a massa salarial cresceu e que há uma ascensão da classe C, a população percebe que não houve diminuição de sua qualidade de vida durante o governo Dilma. "Enquanto o desemprego e o consumo tiverem índices altos, a popularidade estará alta", avaliou Carlos Melo, do Insper. "Se o desemprego fosse alto e a expectativa de consumo fosse baixa, não teria faxina ou atributo pessoal que segurassem essa aprovação", emendou.

Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada, acredita que Dilma se beneficia não só da situação econômica do País, como de seu embate com a base aliada. "A presidente tem uma imagem positiva junto ao eleitorado que decorre em parte do aquecimento do mercado de trabalho, mas tem sua explicação central na imagem de que Dilma tem baixa tolerância com o Congresso", afirmou.

Para Fernando Abrucio, a imagem que a população tem do Congresso já é ruim e, ao ser confrontada pelos aliados no parlamento, Dilma ganhou o respaldo imediato do eleitorado. "Quando o Congresso tenta emparedar a presidente e ela age de maneira sóbria e séria, a população fica do lado da presidente", analisou. O analista do Insper concordou: "Os eleitores olham para o Congresso e veem chantagem, um Congresso que não consegue se autopunir".

A tendência, segundo Abrucio, é que o caso envolvendo o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) agrave a visão que a população tem do Legislativo. "A imagem do Congresso é muito ruim e o caso Demóstenes não se restringe ao senador. O caso dele afeta ainda mais a imagem do Congresso."

Impostos

O que mais chamou a atenção dos cientistas políticos foi o item da pesquisa que apontou que 65% dos entrevistados estão insatisfeitos com a carga tributária. "Isso é recente e tem a ver com a ascensão da classe C, que se deu conta que paga mais impostos", disse o analista da FGV. Para Melo, "hoje, com a carteira assinada, o brasileiro vê os descontos no contracheque". A pesquisa CNI/Ibope também colocou as áreas da saúde e segurança como setores em que o governo federal é reprovado mas, de acordo com Abrucio, esses dois temas estão entre as grandes preocupações dos brasileiros nos últimos dez anos.

Os analistas observam que a questão dos impostos se tornou assunto recorrente nos discursos de Dilma, isto é, ela já se deu conta que isso pode interferir em sua popularidade. "Ela vem falando com frequência da questão tributária", disse o cientista do Insper. Para satisfazer a população atenta à alta carga tributária, a expectativa é de que Dilma se concentre ainda mais no tema. "Há uma tendência de Dilma, até 2014, de fazer mais cortes de impostos mirando os novos eleitores", previu Abrucio.

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