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Previsão de inflação cedeu em junho, principalmente nas faixas de rendas mais altas

O alívio em recentes leituras de inflação proporcionou uma recuperação na confiança do consumidor brasileiro após três meses de queda, segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada nesta segunda-feira.

A projeção de inflação para 2011 baixou de 7,3% para 7,1%, de acordo com a pesquisa.

"A previsão de inflação cedeu em junho, principalmente nas faixas mais altas". Segundo o economista da FGV, Aloisio Campelo, "ainda não é uma queda tão animadora, mas inverte uma tendência (dos últimos três meses)".

A pesquisa mostrou que, na faixa de renda mais baixa, a percepção de que a inflação está cedendo ainda foi muito pequena.

Já nas faixas mais altas, essa constatação foi mais forte, tanto que, entre as famílias com renda acima de R$ 9.600 ao mês (faixa 4), a estimativa é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) --referência para as metas de inflação do governo-- fique em 6,16% neste ano, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira.

"O acesso à informação das faixas mais altas é maior, e isso interfere no sentimento do consumidor", frisou Campelo.

Desde de setembro do ano passado, as projeções capturadas pela sondagem do consumidor vinham subindo e atingiram em maio o pico de 7,3%.

Segundo a FGV, a retomada da confiança foi impulsionada pelos resultados nas três principais capitais da amostra: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Essas cidades reúnem um concentração maior de pessoas com renda acima da média nacional.

Nas três capitais, as classes de renda mais abastada ancoraram a recuperação da confiança do consumidor em junho. Em São Paulo, foi a primeira vez no ano que a FGV detectou esse movimento.

O índice da situação atual cresceu 1% entre maio e junho, ao passo que o índice de expectativas avançou 3,2%.

O indicador que mede a situação atual financeira das famílias atingiu em junho o recorde da pesquisa, iniciada em setembro de 2005. A inflação mais baixa contribuiu para esse nível recorde.

"Na faixa 4, a avaliação está na casa de 150 pontos enquanto que na média de todas as faixas ficou em 120,4 pontos", destacou o economista da FGV.

Apesar da recuperação da confiança em junho, Campelo não enxerga ainda uma nova trajetória ascendente no sentimento.

"Ainda é cedo para dizer que houve uma reversão. A visão é favorável em relação ao mercado de trabalho, a inflação começou a ceder, mas como a economia começou a frear e as medidas macroeconômicas começam a surtir efeito, além de uma política monetária menos favorável, pode ser que isso provoque um impacto no humor do consumidor", ponderou.

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