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Pela primeira vez desde o estouro da crise financeira no último trimestre do ano passado, a confiança dos empresários da indústria brasileira superou o nível pré-crise. No mês passado, o Índice de Confiança da Indústria (ICI), apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), atingiu 109,6 pontos, passando dos 109,3 pontos alcançados em setembro de 2008, quando a crise nem tinha batido na indústria.

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Em novembro, pelo décimo mês consecutivo, o indicador cresceu na comparação com o mês anterior, descontados os efeitos sazonais. A alta de outubro para novembro foi de 2,4% no índice. Na comparação com o mesmo mês de 2008, a confiança dos empresários aumentou 35,1% e foi a maior alta registrada desde julho de 2004. Na comparação anual, o acréscimo de novembro foi o segundo consecutivo.

"Os resultados, tanto mensais como anuais, indicam a consolidação da recuperação da indústria", afirma o coordenador de análises econômicas da FGV e responsável pelo ICI, Aloisio Campelo. Para ele, a confiança da indústria caminha rumo ao pico, atingido em novembro de 2007, de 116,9 pontos. Além disso, há claras indicações de que o indicador de confiança saiu da zona de incertezas.

O economista ressalta que a FGV decidiu ajustar retroativamente a série histórica neste mês, levando em consideração os efeitos abruptos da crise internacional em relação ao comportamento normal das variáveis no período. Com esse ajuste, por exemplo, o fundo do poço do indicador por causa da crise que, pela série anterior teria ocorrido em dezembro de 2008, passou para janeiro de 2009 na série corrigida.

Mais uma vez, a demanda interna continua sendo o carro-chefe da recuperação da indústria. O indicador de nível de demanda interna cresceu 1,8% em relação a outubro e 42,7% em relação a novembro do ano passado. Em contrapartida a demanda externa registrou a primeira retração, de 1,1%, ante outubro, após sete meses seguidos de crescimento. "A demanda externa deu uma rateada", afirma Campelo. De outubro para novembro, houve um acréscimo significativo, de 21,4% para 23,8%, no número de indústrias que achavam a demanda externa fraca, enquanto passou de 9,9% para 11,3%, no mesmo período, a fatia de empresas que considerava forte. A amostra envolve 1.122 indústrias com faturamento anual de R$ 587,4 bilhões e as exportações respondendo por 22,2% da receita.

Na análise do economista, essa "rateada" nas exportações no mês passado foi influenciada muito mais pela deterioração dos indicadores recentes das economias dos Estados Unidos e da Europa, que importam os produtos brasileiros, do que pela oscilação do câmbio. "A recuperação da demanda externa é lenta e sujeita a incertezas." Por isso, ele acredita que uma recuperação mais consistente das exportações deve ocorrer só a partir do segundo trimestre de 2010.

Para o começo do ano, a indústria prevê produção aquecida, com quase a metade das empresas (47,5%) declarando que vão fabricar um volume maior de produto entre novembro e janeiro. "Nesse período, quase ninguém (5,7%) diz que vai produzir menos." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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