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Quem procurou as concessionárias da Toyota em Belo Horizonte para adquirir o modelo Corolla saiu frustrado ontem. As revendedoras Kawaii Veículos e Green cumpriram a determinação do Ministério Público de Minas Gerais e interromperam as vendas do veículo.

Quem procurou as concessionárias da Toyota em Belo Horizonte para adquirir o modelo Corolla saiu frustrado ontem. As revendedoras Kawaii Veículos e Green cumpriram a determinação do Ministério Público de Minas Gerais e interromperam as vendas do veículo. Em uma decisão administrativa cautelar, por meio do Procon estadual, o MP determinou a suspensão das vendas do modelo em todo Estado. A determinação passou a valer ontem nas 12 concessionárias da Toyota em Minas. A decisão do promotor de defesa do consumidor, Amauri Artimos da Matta, foi tomada após alguns veículos terem supostamente apresentado problemas de aceleração contínua, o que causou acidentes e provocou ferimentos leves em pelo menos uma condutora. Segundo o MP, a medida visa "impedir que a vida, saúde e segurança dos consumidores continuem a ser expostas a riscos, pela ausência de informação". O Procon determinou também a abertura de processo administrativo contra a Toyota do Brasil e as duas concessionárias da capital mineira. Diretores da Toyota passaram a tarde toda reunidos ontem em São Paulo para discutir o tema, mas até o fechamento desta edição, às 20 horas, não haviam divulgado a posição da montadora. Nos Estados Unidos, Canadá e Japão, a empresa convocou mais de 8,5 milhões de proprietários de Corolla e outros modelos da marca por causa de problemas no sistema de aceleração que já resultaram em vários acidentes e pelo menos 19 mortes. Na Kawaii, localizada na região central, uma funcionária que pediu para não ser identificada informou que a determinação estava sendo cumprida e nenhuma negociação ou venda seria realizada. A loja vende em média 80 Corollas por mês. O corretor de imóveis Ronilson Pires, de 41 anos, chegou à concessionária disposto a trocar seu Corolla 2008 por um modelo novo. "Não pude nem ver, está proibido", comentou, surpreso. Satisfeito com o modelo, Pires disse que não está preocupado com os casos de aceleração repentina relatados. "Houve alguns casos nos EUA. Aqui, eu não fiquei sabendo de nenhum. Meu carro não teve problema. Vim aqui para comprar outro e vou esperar passar essa confusão", disse. Na Green, com duas lojas na capital, os funcionários foram surpreendidos com a decisão pela manhã. Os modelos Corolla foram retirados de exposição e os clientes orientados a aguardar uma definição em relação à proibição da comercialização. Minas responde por cerca de 8% das vendas da Toyota no País. De janeiro até terça-feira a marca vendeu 2.227 veículos no Estado. O Corolla é o único carro da marca fabricado no Brasil, e corresponde a quase 60% das vendas, que inclui modelos importados, como a picape Hilux. Omissão. Artimos da Matta disse ontem que os Procons municipais foram informados e solicitados para que cooperem com o cumprimento da decisão, fiscalizando as concessionárias no interior. Segundo ele, a Toyota e as 12 concessionárias da marca em Minas foram notificadas na terça-feira. A decisão administrativa foi publicada na quarta-feira no Diário Oficial do Estado. Ele reiterou o entendimento de que a montadora foi omissa nos procedimentos para que fossem sanados problemas no tapete, cujo deslizamento teria provocado travamento mecânico do pedal do acelerador, e "criou um risco desnecessário para o consumidor". Na decisão, o promotor pede que a Toyota seja obrigada a informar com clareza os riscos do produto, substitua os tapetes já revendidos no mercado por produtos seguros, melhore o processo de fixação e promova o recolhimento dos tapetes que foram ou estejam sendo ofertados nas lojas. Segundo Artimos da Matta, não se trata de um recall, pois a empresa tinha conhecimento do problema dos tapetes, uma vez que ele é citado no manual do proprietário. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, informou que está "acompanhando o caso e avaliando eventuais medidas que serão anunciadas em momento adequado". Em março, o órgão obrigou a Fiat a realizar recall do modelo Stilo, por problemas na roda, e multou a empresa em R$ 3,2 milhões. A decisão foi tomada, porém, quase dois anos após o início de relatos de acidentes em que as rodas do carro se soltaram em movimento. A Fiat está recorrendo da decisão. O Ministério Público de São Paulo informou que também acompanha o caso, mas não recebeu nenhuma denúncia de problemas com o Corolla.

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