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SÃO PAULO - Na quinta-feira, o mercado brasileiro conseguiu escapar do sinal externo negativo. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) confirmou os 40 mil pontos, o dólar teve leve baixa e os juros futuros voltaram a perder prêmio de risco, depois que ata do Comitê de Política Monetária (Copom) deixou a porta aberta para novas reduções agressivas na Selic.

Já em Wall Street, o dia foi de realização, seguindo uma sequência de altas. Sendo esse o fato, ou não, o Dow Jones fechou o dia com perda de 1,15%, aos 7.400 pontos. O S & P 500 teve baixa de 1,30%, a 784 pontos. E o Nasdaq Composite recuou 0,52%, a 1.483 pontos.

Uma das teorias para explicar a recente valorização dos ativos americanos, especialmente no setor financeiro, seria a cobertura de posições vendidas. Uma posição vendida é basicamente uma aposta de baixa no preço do ativo. O investidor toma emprestada uma ação e vende na esperança de que seu preço caia para poder recomprá-la por um preço menor.

As medidas anunciadas pelo Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, na quarta-feira continuaram ecoando pelos mercados, especialmente no de commodities, que tinha fechado antes da divulgação do comunicado da autoridade monetária. Destaque para o preço do ouro, com os agentes comprando o metal como uma forma de proteção contra uma estimativa futura de inflação.

A valorização das commodities foi o que garantiu o descolamento da Bovespa das vendas externas, pois deu sustentação aos principais ativos da bolsa brasileira. Com destaque para as ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas, o Ibovespa subiu 0,78%, fechando aos 40.453 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,73 bilhões.

O câmbio mais uma vez teve comportamento atípico, resistindo a um movimento " natural de baixa " . Segundo o gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, o baixo volume negociado no dia e a instabilidade no mercado externo criaram condições para que os investidores estrangeiros defendessem sua posição comprada (apostas contra o real) no mercado futuro.

Os não residentes já desmancharam grande parte dessas apostas contra o real, mas tentam controlar a velocidade de baixa no preço da moeda para que o ganho com tais posições não seja consumido.

Ao fim do dia o dólar comercial apontava leve queda de 0,08%, a R$ 2,247 na compra e R$ 2,249 na venda. Na mínima, a divisa chegou a ser negociada a R$ 2,225.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda também perdeu 0,08%, a R$ 2,248. O giro financeiro somou US$ 203,75 milhões, 38% maior que o observado na sessão anterior. Já no interbancário, o volume foi de US$ 1,13 bilhão, menos da metade do registrado na quarta-feira.

A divulgação da ata do Comitê de política Monetária (Copom) deu maior fôlego às expectativas de novas quedas na Selic e o mercado de juros futuros coloca no preço Selic de 9,7% até o fim do ano.

Com tom mais suave do que o esperado, a ata deixou transparecer que a preocupação da autoridade monetária está voltada para a questão da atividade e que inflação deixou de ser a maior ameaça a ser combatida. Com isso, o piso das apostas para a reunião de abril passou a ser novo corte de 1 ponto percentual.

No entanto, os agentes voltaram a afirmar que apostar em preços ainda menores do que os mostrados na curva é algo arriscado, ainda mais nos vencimentos mais longos, como janeiro de 2012. O mercado fechou com expectativa de correção de preço nesta sexta-feira.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, apontava queda de 0,10 ponto, a 9,73%, depois de cair a 9,66% na mínima. O vencimento para janeiro de 2011 recuou 0,04 ponto, para 10,03%. E janeiro 2012 apontava 10,54%, baixa de 0,06 ponto.

Na ponta curta, o DI para abril destoou, marcando alta de 0,06 ponto, a 11,10%. O contrato para maio subiu 0,01 ponto, para 11,09%. Enquanto julho de 2009 perdeu 0,06 ponto, projetando 10,36%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.078.250 contratos, equivalentes a R$ 99,21 bilhões (US$ 43,50 bilhões). O vencimento para janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 463.215 contratos, equivalente a R$ 43,06 bilhões (US$ 18,88 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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