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Preços ao produtor têm leve recuo em abril, para 0,34%

Os preços das commodities e a variação cambial contribuíram para que o Índice de Preços ao Produtor (IPP), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desacelerasse de 0,39% em março para 0,34% em abril.

Os alimentos recuaram 1,21% entre março e abril, com uma contribuição negativa de 0,22 ponto percentual para o IPP, enquanto a persistente queda do dólar ajudou a baixa do IPP para os setores de papel e celulose, que recuou 1,72%; outros equipamentos de transporte, com redução de 2,07%; e de fumo, que caiu 2,78%.

"Nos últimos dois meses os alimentos são, com certeza, a maior influência de baixa", afirmou Alexandre Brandão, gerente do IPP, lembrando a retração das commodities este ano, depois do forte avanço em 2010. Brandão ponderou que a trajetória das commodities e a chegada da safra contribuem para as quedas do açúcar cristal, dos sucos concentrados de laranja e do açúcar demerara, enquanto o leite permanece na entressafra, com preços em alta. Juntos, esses quatro produtos responderam por 0,98 ponto percentual da queda de 1,21% dos alimentos.

O técnico do IBGE explicou que papel e celulose, outros equipamentos de transporte e fumo têm grande parte da produção exportada, o que significa que as informações prestadas na pesquisa consideram os preços em dólar. Quando aplicada a taxa de câmbio, os valores mostram redução em reais, dada a crescente valorização da moeda brasileira.

Em sentido contrário, metalurgia, refino e outros produtos químicos puxaram para cima o índice em abril. A metalurgia registrou alta de 2,41%, toda ela observada em três grupos de produtos: lingotes, blocos ou placas de aço ao carbono; bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos; e chapas frias e tiras de alumínio de forma quadrada ou retangular.

O IBGE não detalha a influência de cada grupo separadamente, de forma a proteger os informantes da pesquisa. No total, a metalurgia contribuiu com 0,20 ponto percentual para o IPP de abril. "A metalurgia tem a ver com o preço das placas. Os contratos novos de exportação se mostraram maiores", disse Brandão. No refino, o comportamento do álcool é preponderante, segundo o técnico do IBGE, para explicar a alta de 2,45% entre março e abril.

Três grupos - álcool etílico não desnaturado, com teor alcoólico em volume igual ou maior que 80%; querosene de aviação; e naftas para petroquímica - responderam por 2,40 pontos percentuais do crescimento, apesar de óleo diesel e outros óleos combustíveis terem caído de preço no período.

"A questão do álcool tem sido preponderante no setor de refino e o produto é a principal influência para a contribuição de 0,27 ponto percentual do refino para o índice em abril", frisou Brandão. Já o grupo de outros produtos químicos subiu 0,56%, com uma contribuição de 0,06 ponto percentual para o IPP. Os principais destaques de alta foram os herbicidas para uso na agricultura; polipropileno; e propeno não saturado.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2011, os produtos têxteis subiram 11,34% na comparação com igual período do ano passado e contribuíram com 0,24 ponto percentual para a alta de 1,74% acumulada pelo IPP. Mais uma vez, o refino e os outros produtos químicos aparecem com destaque. No caso do primeiro setor, a alta entre janeiro e abril chega a 6,14% e a contribuição atinge 0,66 ponto percentual para o IPP, também impulsionado pelo álcool.

Os outros produtos químicos avançaram 9,10% no acumulado, com contribuição de 0,93 ponto percentual para o índice cheio. Os alimentos também ajudam a conter o índice acumulado e tiveram queda de 1,50% desde janeiro e contribuição negativa de 0,28 ponto percentual para o IPP. A cadeia da soja, o açúcar cristal e o arroz puxaram a queda e - somados ao leite, que apresentou trajetória inversa, com alta de preços - responderam por 1,54 ponto percentual para a queda dos alimentos entre janeiro e abril, enquanto todos os outros produtos juntos responderam por uma alta de 0,04 ponto percentual.

O IBGE destacou ainda o comportamento dos veículos automotores, que entre janeiro e abril acumulam queda de 0,06%. Brandão lembrou que a queda é puxada pela produção de automóveis, que compensam o fato de grupos importantes como caminhões e chassis para ônibus apresentarem trajetória de alta em 2011. "Os impactos dos automóveis são suficientes para puxar para baixo o setor como um todo", afirmou Brandão.

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