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Brasília, 21 O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, relatou esta tarde que seu ministério necessitará de recursos extras para apoiar a comercialização de uma parte da produção nacional de trigo, que, por causa das chuvas, tem problemas de qualidade e não poderá ser aproveitada pelos moinhos. De acordo com produtores que participaram de audiência pública na Comissão de Agricultura, na Câmara dos Deputados, essa parte representa cerca de 30% da produção.

"O que fazer com os 30% do trigo que não têm como entrar no mercado? Isso demandará recursos adicionais", afirmou o ministro, ao final da reunião. Na avaliação dele, o total de R$ 5,2 bilhões de recursos do Orçamento destinado à Agricultura este ano foi suficiente para a atuação do ministério. "Nunca teremos o ideal, mas, considerando um ano de crise, tivemos um ano favorável", disse.

Trigo argentino

As importações de trigo não representam, "no momento", uma ameaça para o mercado interno, na avaliação do ministro da Agricultura. Segundo Stephanes, foi criada uma comissão dentro da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para acompanhar a movimentação dos preços e dos volumes importados e produzidos pelo setor.

É esta comissão que avaliará a solicitação da Agricultura de elevar de 10% para 35% a Taxa Externa Comum (TEC) para importação do grão de países que não integram o Mercosul. Isso só ocorrerá, de acordo com o ministro, quando as compras do produto pelo Brasil avançarem para um limite que não seja considerado confortável. "No momento, as importações estão baixas e não representam ameaça", avaliou.

O ministro também chegou a mencionar que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estuda uma nova classificação para o trigo no Brasil, obedecendo a padrões internacionais. "A Abitrigo tem certa razão quando fala da classificação do trigo. A nossa existe, mas é relativamente fraca", admitiu.

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