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Especialistas apostam em Selic a 10,75% até o fim do ano, mas aguardam análise do Banco Central sobre panorama econômico

A sétima reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não deve trazer muitas mudanças nos rumos da taxa básica de juros da economia brasileira. Na avaliação de especialistas de mercado, a autoridade monetária deve anunciar a manutenção da Selic em 10,75% nesta quarta-feira e repetir o feito no último encontro de 2010, previsto para os dias 7 e 8 de dezembro.

Embora as projeções de manutenção sejam unânimes no mercado, os especialistas aguardam a divulgação da ata da reunião – que acontecerá no próximo dia 28 – para avaliar as percepções do Banco Central sobre o panorama econômico brasileiro.

Membros do Copom discutem rumos da taxa de juros durante reunião de setembro em Brasília
Fellipe Bryan/iG
Membros do Copom discutem rumos da taxa de juros durante reunião de setembro em Brasília

“Creio que a ata trará elementos muito interessantes e relevantes”, diz Ricardo Denadai, economista sênior da Santander Asset Management, em relatório. Segundo ele, a ata do Banco Central deve trazer uma avaliação sobre a política do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sobre a injeção de liquidez na economia americana, que pode gerar uma valorização dos ativos, em especial, as commodities.

“Como o Copom reiterou em seus últimos documentos sua análise de que o cenário internacional de baixo crescimento teria impacto desinflacionário sobre a economia brasileira, será muito importante conhecer o modo que o comitê tratará esta questão da elevação das commodities em reais. E, é claro, como o comitê abordará a questão cambial propriamente dita”, completa Denadai.

Outro aspecto a ser avaliado é com relação à demanda doméstica. Para o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do Bradesco, a demanda seguirá robusta, embora em ritmo menos intenso que o observado nos meses anteriores, sustentando os preços de serviços em patamares elevados.

“Esse ambiente global, entretanto, nos permitirá contar com um elevado vazamento externo e com uma inflação contida no segmento de bens – mitigando parte das pressões inflacionárias oriundas da demanda – e dará conforto ao Banco Central para manter a Selic estável em 10,75% por alguns trimestres à frente”, afirma o Depec, em relatório.

Além disso, preveem os especialistas, o Banco Central ainda não teve tempo para constatar o real efeito da sequência de alta dos juros, iniciada no mês de abril. “O fato de ainda não ter havido tempo suficiente para que fosse testada a percepção do Banco Central, explicitada nas versões mais recentes da ata do Copom e do Relatório Trimestral de Inflação, de que nos últimos anos o juro neutro da economia brasileira sofreu redução e a potência da política monetária aumentou”, diz a LCA Consultores, sugerindo manutenção da Selic em 10,75% até o fim de 2010.

2011

Embora a manutenção dos juros soe como unanimidade para os especialistas em 2010, para o ano que vem o cenário é mais nebuloso. A LCA acredita que a Selic pode até ser mantida em 10,75% durante 2011, desde que um cenário otimista se confirme. “O encarecimento das commodities, num contexto em que o crédito e o emprego conferem dinamismo à demanda doméstica, poderia, se persistir, resultar num quadro em que as pressões de custos em estágios iniciais da cadeia produtiva poderiam ser repassadas para os preços dos bens finais em escala capaz de dificultar o cumprimento das metas de inflação.”

“Para que a Selic venha a atravessar 2011 estacionada em 10,75% ao ano será preciso que boa parte dos diversos elementos de incerteza que ora anuviam as expectativas inflacionárias sofra diluição até o final deste ano, no mais tardar até o encerramento do primeiro trimestre do ano que vem – hipótese que ainda parece plausível”, completa a LCA.

O Depec, do Bradesco, projeta manutenção da Selic também ao longo de 2011, mas diz que “o Banco Central terá que lidar com o tema da deterioração das expectativas de inflação, que seguem ocorrendo para o horizonte de 2011”. Já para o Santander, a tendência é de alta dos juros no ano que vem, com a Selic encerrando 2011 a 13% ao ano. 

O movimento dos juros

Confira a variação da taxa básica de juros (Selic) nos últimos encontros do Copom

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Fonte: Banco Central

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