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O superaquecimento do consumo já provoca escassez de produtos e fabricantes brasileiros não conseguem acompanhar demanda

O superaquecimento do consumo, sinalizado pelo crescimento recorde do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, já provoca escassez de produtos. Fabricantes de reboques e semirreboques para transporte rodoviário de carga estão com os pátios cheios de carretas prontas que não podem ser entregues por falta de pneus. 

Na Zona Franca de Manaus, as indústrias de televisores e de celulares não conseguem cumprir os prazos de entrega ao varejo por falta de componentes importados. As mercadorias ficam paradas por cerca de nove dias à espera de liberação nos terminais de cargas do aeroporto da cidade, cuja infraestrutura é insuficiente para administrar o aumento no fluxo de cargas, que triplicou nos últimos meses. 

Além da quantidade limitada de modelos de TVs, o brasileiro ainda correu risco de ver o copo vazio durante a Copa do Mundo. O forte aumento do consumo de cervejas e refrigerantes este ano, muito acima do esperado, provocou falta de latas de alumínio e rótulos de cerveja no País, obrigando os fabricantes a importar os insumos para atender à demanda doméstica. 

Um típico exemplo desse descompasso ocorreu no segmento de pneus de carga (para caminhões e ônibus). Depois de terem desativado parte das linhas de produção desse tipo de pneu no período mais crítico da crise financeira mundial, agora os fabricantes instalados no País não conseguem acompanhar o ritmo acelerado da demanda, que cresceu com o aquecimento da economia brasileira. 

Nos primeiros quatro meses de 2010, foram vendidas 16,4 mil carretas, o que representou crescimento de quase 40% em relação a igual período do ano passado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir). Desde janeiro, o preço do pneu subiu em média 16%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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