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O grupo Ultra, um dos maiores conglomerados econômicos do País, planeja definir seu futuro nos próximos dois anos. A ideia dos acionistas é acomodar os interesses da nova geração da família Igel, fundadora do grupo no fim dos anos 30, além de atender os desejos dos herdeiros dos altos executivos que possuem ações de controle do grupo.

Entre as inúmeras ideias colocada na mesa pelos acionistas, existe até a possibilidade de separação das empresas hoje abrigadas na holding Ultrapar. No entanto, qualquer movimentação dependerá de uma premissa fundamental, segundo apurou o iG com uma fonte envolvida nas discussões: a criação de valor das empresas.

"A intenção é acomodar e discutir com os acionistas qual o caminho que o grupo seguirá nos próximos 20 anos", disse a fonte ao iG. "Mas prevalecerá sempre o interesse de criação de valor e perpetuação da companhia, seja unida ou separada."

Na quinta-feira, a Ultrapar entregou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) comunicado informando que a Ultra S/A prorrogou por mais dois anos o acordo de acionistas, vigente desde 2004. O acordo venceria apenas no dia 16 de dezembro.

Os acionistas decidiram manter os mesmos termos e condições do atual acerto. Mas ressaltaram que "o acordo deverá ser eventualmente aperfeiçoado, adaptado e atualizado na medida em que novas realidades assim o determinem."

"Dois anos é o tempo suficiente para amadurecer as conversas entre os acionistas", diz a fonte.

O grupo Ultra é controlado pela família Igel, herdeiros do ex-ministro Hélio Beltrão (que trabalhou na empresa) e altos executivos da companhia, como o empresário Paulo Cunha, que preside o conselho de administração da Ultrapar, e Pedro Wongtschowski, atual presidente executivos. Atualmente, todos eles estão abrigados hoje na Ultra S/A, empresa controladora da Ultrapar.

Essa composição mista de controle do grupo Ultra foi idealizada nos anos 80 por Pery Igel, filho do fundador Ernesto Igel, empresário austríaco naturalizado brasileiro. Depois de um infarto nos anos 1980, Pery previu a doação de ações de controle aos seus executivos como forma de incentivo aos profissionais enquanto estivessem à frente das empresas do grupo. O plano permitiu fazer a transição sem grandes sobressaltos. Pery faleceu em 1998.

Nos últimos dez anos, o grupo investiu R$ 8 bilhões. Metade dos recursos foi empregada em aquisições de empresas. "Esse é um dos grandes motivos para estudar o futuro do grupo", conta a fonte. "Houve uma grande diversificação. A geração atual está envelhecendo e sabe como o grupo foi formado."

O acordo original reunia 10 acionistas, alguns deles atuando por quase quatro décadas. O acordo estendendo acerto por mais dois anos amplia o número de controladores para 20 pessoas, abrangendo uma nova geração de herdeiros. Quatro deles são filhos de Paulo Cunha.

O grupo Ultra é dono da Ultragaz, maior empresa de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), o popular gás de cozinha. É proprietário ainda da Oxiteno, fabricante de especialidades químicas, além da Ultracargo, empresa de logística e também dona dos maiores terminais portuários do País.

Desde 2007, o grupo passou a controlar a maior empresa privada de distribuição de combustíveis no País ao comprar a rede Ipiranga e, posteriormente, a filial brasileira da Texaco. O grupo fatura quase R$ 40 bilhões por ano.

"Existem discussões sobre um novo modelo societário, que poderá sair das conversas." Fala-se até na possibilidade de ingresso do grupo no Novo Mercado, o que implicará em mudanças na atual constituição societária do grupo, diz a fonte.

O acordo prorrogado já trouxe novidades. Ele oferece, por exemplo, uma saída dos controladores da Ultra S/A da sociedade, permitindo a troca de suas ações  por papéis preferenciais da Ultrapar.

Enquanto o planejamento do grupo se desenrola, o grupo também vai procurar um novo profissional para seu comando executivo para que assuma quando terminar o acordo de acionistas daqui a dois anos. Isso porque o atual presidente, o engenheiro Wongtschowski, completará 65 anos, idade limite acertada com os acionistas para que ele deixe as funções executivas à frente da Ultrapar.

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