Brasil Econômico

Novela longa e provavelmente sem um final feliz. Desde que assumiu o governo norte-americano, Donald Trump vive às rusgas com a China culpando o país asiático por seus elevados déficits comerciais. Retaliação após retaliação partindo de ambos os lados, alguns ainda acreditam que o principal problema seriam as relações comerciais bilaterais. Parece não ser tão simples assim.

Conflito entre países esta longe de encontrar um final
Divulgação/Twitter/Potus
Tensões comerciais entre EUA e China aumentam riscos à economia global

O mau humor de fato começou com um desconhecimento por parte de Trump sobre como funcionam as vantagens comparativas e o excesso de consumo das famílias que acabam batendo em maiores déficits comerciais. Evoluiu para o alegado roubo de propriedade intelectual por parte da China e a forçosa transferência de segredos industriais para os chineses via empresas americanas que quisessem se estabelecer no gigante asiático como consumidor ou polo exportador.

Em que pesem os problemas acima, há de se considerar uma questão ainda maior por parte dos Estados Unidos: a segurança nacional. Explico melhor. Após 1989, quando ocorreu o massacre da Praça da Paz Celestial em Pequim (sim, a imagem onde um chinês enfrenta um comboio de tanques tornou-se emblemática), a China praticamente despareceu para o mundo e os líderes do país entraram em uma discussão inócua: se deveriam voltar ao Maoísmo (economia central planificada) ou não.

Adiante, quando a União Soviética caiu em 1991, o líder chinês Deng Xiaoping resolveu costurar um grande acordo entre o Partido Comunista Chinês (PCChinês), Conselho de Estado e Exército de Libertação do Povo (ELP). Para os dois primeiros citados, Xiaoping prometeu que a China sempre seria liderada pelo PCChinês com participação no Conselho de Estado. Para o ELP, o líder máximo não só prometeu como garantiu a perene modernização das forças armadas, além da participação acionária em algumas empresas chinesas.

Por conta da participação do Exército de Libertação do Povo em empresas locais chinesas costurado pós 1989, hoje verificamos o imbróglio da Huawei, acreditada pelos norte-americanos como uma empresa que tem em sua estrutura de controle o ELP como acionista.

Donde vale a reflexão: considerando o roubo de propriedade intelectual e a segurança nacional, tendo o Exército chinês presente em empresas locais, qual a chance de uma questão tão delicada ser resolvida em três, seis ou nove meses?

Acho difícil. E ainda há dois elementos mais a tornar as tensões ainda maiores. Uma ação de impeachment contra Donald Trump por possível fraude em processo eleitoral e a piora da atividade econômica global, só tendo a desacelerar ainda mais com as rusgas entre esses dois gigantes.

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