
Em meio a tantas notícias turbulentas, na última sexta-feira (14), o governo federal divulgou um dado que caiu como um suspiro de alívio: segundo monitoramento e dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), no último ano, a Amazônia registrou queda de 41,8% do desmatamento e o Cerrado de 23,8% em relação ao período anterior.
Nos dois biomas, tratam-se das menores séries históricas já registradas há mais de 30 anos.
Na Amazônia, o desmatamento foi de 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026; já no Cerrado foram registrados 5.731 km² de devastação no mesmo período.
Esta medição faz parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Inpe, que faz análises detalhadas de imagens de satélite, medindo cada área efetivamente desmatada a cada ano, de agosto a julho.
Como diminuiu?
De que forma podemos explicar esta queda tão relevante? Não se trata de sorte, nem de coincidência. É trabalho mesmo.
Nos últimos anos, o governo federal endureceu a fiscalização sobre o desmatamento ilegal. É importante citar aqui a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), que aumenta a punição para quem desmata.
Áreas desmatadas sem autorização, por exemplo, são identificadas por satélite e bloqueadas imediatamente. O proprietário não pode mais utilizar a área para produzir nem vender nada.
Este programa havia sido suspenso na gestão anterior, de Jair Bolsonaro, que fez com que o desmatamento amazônico, nosso calcanhar de Aquiles, disparasse e atingisse seu maior pico histórico.
Porém, ainda há outros fatores que ajudaram neste freio e vão além do comando, controle e repressão. Foram criadas e ampliadas unidades de conservação, especialmente em áreas sob pressão da expansão agropecuária.
E o mais importante tem sido associar estas medidas a mecanismos financeiros de fortalecimento das cadeias produtivas que mantêm a floresta em pé. Trata-se de uma governança transversal, que inclui todos os ministérios, Estados e municípios.
Em outras palavras: isso se chama políticas públicas eficientes, lideradas pela pasta conduzida pela ex-ministra Marina Silva.
“A redução do desmatamento não é um episódio isolado, nem resultado da sorte. É um processo contínuo, de redução ano a ano, que só é possível com políticas públicas estruturadas e organizadas em três pilares fundamentais: a ciência, com informações que orientam nossas decisões; a democracia, com a participação da sociedade na construção das políticas públicas; e o pacto federativo, com respeito e parceria entre o Governo Federal, os estados e os municípios”, explicou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
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Preservar gera mais riqueza do que desmatar
Manter a floresta amazônica gera um valor econômico e ecossistêmico estimado em cerca de US$ 317 bilhões por ano (aproximadamente R$ 1,5 trilhão), segundo dados do Banco Mundial. Esse montante é sete vezes superior ao rendimento máximo obtido com atividades de exploração predatória e conversão da terra (como pecuária extensiva, por exemplo).
O desmatamento destrói muito mais riqueza do que gera. A bioeconomia baseada na floresta em pé já constrói um PIB de R$ 12 bilhões por ano. Com investimentos estratégicos, esse PIB pode alcançar R$ 38,6 bilhões até 2050, criando 833 mil novos empregos em substituição a atividades de desmatamento.
Os resultados mostram que preservar a floresta é uma escolha política .
E, em uma democracia, cabe a cada um de nós decidir se o Brasil seguirá por esse caminho ou se voltará a adotar políticas de flexibilização ambiental e incentivo à exploração predatória dos recursos naturais. Na mesma linha, aliás, com o que se observa hoje no governo de Donald Trump, nos Estados Unidos.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG