
Escolher um produto no supermercado, na farmácia ou na seção de cosméticos pode significar lidar com uma lista extensa de ingredientes nem sempre fácil de interpretar.
É nesse espaço entre a informação do rótulo e a decisão do consumidor que atua a Yuka, aplicativo que permite escanear o código de barras de alimentos, cosméticos e produtos de cuidados pessoais e atribui uma avaliação relacionada ao impacto sobre a saúde. A partir daí, o app mostra como escolher opções mais saudáveis.
A plataforma mantém um banco de dados que já reúne mais de 700 mil produtos no Brasil e, a partir dessas informações, identificou categorias de aditivos alimentares e ingredientes cosméticos que aparecem com frequência entre aqueles classificados como de alto risco.
A análise contempla produtos presentes no cotidiano, de alimentos processados e bebidas a cosméticos e itens de higiene e cuidados pessoais.
Entre os alimentos, aparecem na lista da Yuka nitritos e nitratos, utilizados como conservantes em carnes processadas e embutidos; corantes artificiais, como Vermelho 40, Amarelo 5 e Amarelo 6; dióxido de titânio; adoçantes como aspartame e sucralose; emulsificantes; e aditivos à base de fosfato. Eles estão presentes em diferentes categorias, incluindo refrigerantes, doces, cereais, produtos lácteos, molhos, sorvetes, bebidas vegetais e alimentos processados.
O que são as substâncias apontadas pela Yuka
A presença de um aditivo não significa, necessariamente, que ele tenha a mesma função ou o mesmo nível de preocupação. Alguns são empregados para preservar alimentos ou garantir sua segurança, enquanto outros podem ser utilizados para modificar textura, aparência ou características do produto. Segundo a Yuka, parte das substâncias analisadas foi objeto de estudos que levantaram preocupações sobre possíveis efeitos à saúde.
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Os nitritos e nitratos, por exemplo, são utilizados como conservantes em carnes processadas e embutidos. Segundo o documento, eles podem gerar substâncias consideradas provavelmente cancerígenas por diferentes autoridades de saúde, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Já os corantes artificiais não possuem valor nutricional e foram associados, segundo a análise, a hiperatividade e problemas de atenção em crianças. O documento também destaca que a União Europeia exige advertência nos rótulos desde 2010.
Os aditivos à base de fosfato, por sua vez, são encontrados em produtos como refrigerantes, alimentos de panificação, queijos processados e carnes processadas. O consumo elevado de fósforo é relacionado, no levantamento, a danos renais, problemas ósseos e maior risco cardiovascular.
E nos produtos de cuidados pessoais?
A análise também reúne ingredientes encontrados em cosméticos e outros produtos de cuidados pessoais. Entre eles estão parabenos, BHA e BHT, silicones cíclicos, conservantes alergênicos, determinados filtros UV, sais de alumínio e substâncias PFAS.
Os parabenos são apontados por sua possível interferência no sistema hormonal. O butilparabeno, especificamente, é classificado como disruptor endócrino na União Europeia. O BHA é identificado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como possível carcinógeno, enquanto o D4, um silicone cíclico, é apontado como possível disruptor endócrino.
Os PFAS, por sua vez, aparecem relacionados a alterações no sistema imunológico, redução da fertilidade e diferentes tipos de câncer. O documento também destaca a alta persistência dessas substâncias no meio ambiente.
Como funciona o aplicativo
A Yuka transforma a composição informada nas embalagens em uma classificação simplificada. O sistema utiliza quatro cores: verde, para produtos sem risco identificado; amarelo, para risco limitado; laranja, para risco moderado; e vermelho, para alto risco.
De acordo com o material, a classificação vermelha é atribuída quando existem evidências científicas consideradas sólidas de um efeito grave sobre a saúde e quando o nível de exposição é considerado preocupante.
Quando um produto recebe uma avaliação baixa, a plataforma também apresenta alternativas dentro da mesma categoria. No caso dos alimentos, as sugestões podem considerar a ausência de aditivos classificados como controversos ou um perfil nutricional melhor, com menos açúcar ou sal e maior quantidade de proteínas ou fibras. Para cosméticos, são indicadas opções sem ingredientes classificados como potencialmente de risco.
Fundada em 2017, a Yuka se apresenta como um projeto de impacto independente. Atualmente, a plataforma possui mais de 85 milhões de usuários no mundo, sendo 28 milhões nos Estados Unidos.
No Brasil, a ferramenta chegou em julho e seu banco de dados já ultrapassa 700 mil produtos.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG