Mariana Sgarioni

Sem água na fórmula, shampoo em pó ganha prêmio sustentável

Produto une alta performance cosmética a uma proposta de consumo mais consciente

Shampoo em pó é inovação que traz menos usos de recursos
Foto: Imagem gerada por IA
Shampoo em pó é inovação que traz menos usos de recursos

Há certos produtos que estão inseridos em nossa vida de tal forma que dificilmente paramos para questionar sua real eficácia. Os shampoos pendurados no banheiro são um deles. Em geral, fazem muita espuma, usam muita água para serem produzidos e suas embalagens dificilmente são recicladas ou reaproveitadas. 

O shampoo em pó é uma inovação que muda toda essa lógica.  

O tema ganhou visibilidade recentemente após o shampoo em pó da HUMÀ Skin Science receber o Clean Beauty Awards 2026 na categoria Sustentabilidade. O reconhecimento reflete um movimento mais amplo da indústria em busca de produtos que utilizem menos recursos naturais e gerem menor impacto ambiental ao longo de seu ciclo de vida.

A reflexão por trás do produto toca em uma questão importante da sustentabilidade: por que transportar água pelo mundo dentro de embalagens quando ela já está disponível na casa do consumidor?

A maior parte dos shampoos líquidos tradicionais contém entre 70% e 80% de água em sua composição. Isso significa que a água precisa ser captada, tratada, incorporada à fórmula, armazenada, embalada e transportada ao longo de toda a cadeia produtiva. Em outras palavras, caminhões percorrem milhares de quilômetros carregando um ingrediente que já existe na torneira de quem vai usar o produto.

O shampoo em pó inverte essa lógica. A água deixa de fazer parte da fórmula e passa a ser adicionada apenas no momento do uso. Parece um detalhe, mas não é. A mudança reduz o volume transportado, diminui o peso da carga e pode representar uma economia significativa de recursos ao longo do ciclo de vida do produto.

Menos embalagens

A discussão também passa pelas embalagens. O setor de higiene pessoal ainda depende fortemente de recipientes plásticos de uso único. Nos últimos anos, diversas marcas passaram a buscar alternativas, como refis e materiais recicláveis. Algumas iniciativas apostam em embalagens de alumínio, que podem ser recicladas repetidamente sem perda de qualidade.

Mas talvez a principal contribuição desse tipo de produto não esteja apenas na embalagem ou na redução do consumo de água. Ela está na mudança de mentalidade.

Leia também:  Sem Caatinga, o deserto avança

Claro que um shampoo em pó não vai resolver a crise climática nem os desafios relacionados à gestão da água. Mas pode servir como exemplo de uma tendência maior: a busca por produtos que entreguem a mesma funcionalidade utilizando menos recursos naturais.

Esse raciocínio tende a ganhar espaço à medida que consumidores, empresas e reguladores passam a olhar com mais atenção para a pegada ambiental dos produtos. Afinal, sustentabilidade não significa apenas produzir melhor. Significa também repensar processos que por muito tempo foram considerados naturais.

Nem toda inovação ambiental depende de uma grande descoberta tecnológica. Às vezes, ela começa com uma pergunta simples: será que precisamos mesmo transportar tanta água dentro de uma embalagem?

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG