Você sabe o que acontece com aqueles resíduos secos que separamos em casa e acreditamos que serão reciclados? Por mais que tenhamos toda boa vontade do mundo, muitos destes resíduos simplesmente são jogados de volta ao lixo e vão parar nos aterros sanitários.
Em geral, costumam se salvar o plástico, vidro, papel e metal. Ou seja: as embalagens rígidas. O que acaba virando rejeito são as flexíveis, como pacotes de salgadinhos, chocolates, balas, biscoitos, pet food, entre outros.
Uma análise técnica inédita realizada pela startup Yattó mapeou o perfil de embalagens plásticas flexíveis e de poliestireno (PS) que circulam no fluxo de resíduos pós-consumo e que representam cerca de 46% do que vai parar nas cooperativas.
Os dados indicam que estas embalagens multicamadas (flexíveis) são classificadas nos rótulos como "Outros" (Código 7), o que dificulta a separação e reduz drasticamente sua reciclabilidade.
Outro ponto crítico verificado é a ausência de identificação clara da composição em muitas destas embalagens, o que compromete a rastreabilidade e a eficiência da triagem manual.
Qual a composição?
Para que a embalagem seja encaminhada à reciclagem correta, é preciso que sua composição exata esteja discriminada no rótulo. No caso das multicamadas, elas costumam ser compostas por filmes plásticos, alumínio e diversos tipos de materiais, como propileno, polietileno, poliéster, entre outros. São estes elementos que garantem a vedação necessária ao alimento e as barreiras contra umidade, aromas e oxigênio. Porém, nem todos estão descritos.
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Para Alexandre Gallana Jr., CEO da Yattó, o mercado precisa de transparência real. “A reciclagem no Brasil não pode mais ser baseada em notas fiscais de crédito de logística reversa que não correspondem ao material físico. Nosso estudo mostra que 40% do que é coletado com esforço hercúleo pelas cooperativas volta para o aterro porque a indústria ainda não desenhou soluções para o material complexo. Sem rastreabilidade total, as empresas correm um risco altíssimo de greenwashing involuntário ao reportarem índices de circularidade que não se sustentam na ponta da cadeia”, afirma.
O que faz a Yattó
A startup atua conectando multinacionais como Nestlé, Cargill e Danone, que são fabricantes de alimentos que utilizam grandes quantidades destas embalagens flexíveis, diretamente às cooperativas.
A ideia é focar na gestão do que seria um rejeito, mas que a startup faz com que seja encaminhado à reciclagem. Desta forma, garante a conformidade ambiental das empresas .
"Na Yattó, nosso papel é dar valor econômico ao que ninguém quer, pagando às cooperativas por materiais complexos e garantindo que eles virem novos produtos. Só há ESG real onde há rastreabilidade física do material, do descarte à nova vida útil", explica Gallana Jr.