Por seu potencial poluente, hospitais brasileiros estão abolindo o uso do óxido nitroso em cirurgias
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Por seu potencial poluente, hospitais brasileiros estão abolindo o uso do óxido nitroso em cirurgias

O famoso “gás do riso”, ou “gás hilariante”, velho conhecido de médicos e dentistas por ser usado há centenas de anos como anestésico leve, não tem graça nenhuma.

De bonzinho, o óxido nitroso (N₂O) não tem nada. Seu Potencial de Aquecimento Global (GWP) é cerca de 300 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO₂) em um horizonte de 100 anos, de acordo com relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Só nos Estados Unidos, ele representa 6% de todas as emissões de gases de efeito estufa provenientes de atividades humanas.

Além disso, ele pode permanecer na atmosfera por mais de um século, ampliando significativamente seu impacto climático.

Por essas e outras que os hospitais brasileiros estão, pouco a pouco, abolindo o uso do óxido nitroso. 

A Rede D´Or foi a primeira a anunciar que seus anestesistas deixariam de usar o gás, considerado pela empresa, além de prejudicial ao ambiente, clinicamente inútil.

“O anestesista sempre usou o N₂O para fazer indução inalatória. Mas era muito mais uma questão de hábito, pois já se sabia que o gás era dispensável”, disse Leopoldo Muniz, gerente médico de Qualidade Corporativa da Rede D’Or e ele próprio anestesista.

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O anúncio também foi feito pelo Hospital do Coração (HCor) de São Paulo, que afirmou ter substituído o gás pelo sevoflurano, anestésico com baixo impacto ambiental.

Em dezembro passado foi a vez do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e agora a Rede São Camilo também aderiu ao fim do N₂O.

“Descontinuar o uso do óxido nitroso é uma decisão que reforça nosso compromisso com a saúde das pessoas e do planeta. Os resultados evidenciam que é possível manter a excelência assistencial ao mesmo tempo em que reduzimos de forma significativa nosso impacto ambiental”, afirma Leonardo Alves, engenheiro de gestão ambiental da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Sensação agradável

O gás do riso foi descoberto em 1772 pelo químico inglês Joseph Priestley. Alguns anos depois, verificou-se que o gás provocava uma sensação agradável ao ser inalado. 

Em 1844, o dentista americano Horace Wells percebeu que o gás tinha efeito anestésico por acaso e decidiu testar a substância para extrair dentes em consultório. Deu certo. A partir daí o óxido nitroso passou a ser usado amplamente como anestésico em todo o mundo. Atualmente, é escolhido em cirurgias em que o acesso venoso é difícil, especialmente em crianças. 

Porém, como seu impacto climático é pesado, as instituições de saúde comprometidas em cumprir suas metas de descarbonização não estão dispostas a pagar esta conta. “Ao revisar processos e incorporar práticas mais sustentáveis, consolidamos um modelo de gestão que alia inovação, responsabilidade ambiental e eficiência operacional ”, conclui Cláudia Oliveira, gerente de hotelaria da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

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