
As chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBNs), que foram tão alardeadas na COP-30, vem sendo cada vez mais usadas pelo agronegócio brasileiro. Os agricultores já perceberam que uma produção sustentável traz múltiplos benefícios econômicos, sociais e ambientais, reduzindo custos e atraindo mais exportações.
A Agropalma, empresa brasileira que se tornou referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma, dispensa o uso de inseticidas em suas terras e adota uma prática que se enquadra nas SBNs: o controle biológico de pragas.
“Se existem pragas, existem predadores. Por que aplicar inseticidas artificiais se a natureza oferece estes predadores gratuitamente?", questiona André Nogueira Borba, diretor Agrícola da Agropalma.
A empresa lança mão de vários métodos naturais para combater as pragas das plantações. Um deles é um laboratório de criação de percevejos, que são predadores da lagarta-desfolhadora, uma das pragas mais comuns das plantações de palma.
Nesse ambiente controlado, a empresa desenvolve esse tipo de inseto, acostumando-o desde o início a se alimentar das suas presas. Quando atinge a fase adulta, ele é liberado na plantação, por drones, para executar o manejo de pragas de forma natural. Como resultado, a equipe agrícola da companhia tem notado uma menor incidência de lagartas e besouros que são nocivos às plantações nas fazendas onde os percevejos foram introduzidos.
Espécies intercaladas
Outra técnica é o cultivo de nectaríferas, que atraem insetos, em sua maioria predadores, que combatem naturalmente as principais pragas da palmeira. Estas espécies que se intercalam com a produção da palma de óleo, além de contribuírem para o equilíbrio, captam gás carbônico da atmosfera e melhoram a nutrição do solo.
A Agropalma também isola, em laboratório, vírus e bactérias que atacam lagartas. Em seguida, estes vírus são injetados em lagartas saudáveis que disseminam a doença às outras.
A companhia utiliza estas e outras ações em seus quase 40 mil hectares de produção no Estado do Pará sem optar por nenhum tipo de inseticida químico.
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“Se os pesticidas não forem usados, não haverá contaminação do alimento, das pessoas que trabalham e moram na área, dos cursos de água, nem a morte de pássaros e animais. Tudo isso é benéfico para o negócio, além de trazer uma importante redução de custos. O controle natural de pragas é mais barato do que inseticidas e evitam perdas na produção. Além disso, uma produção limpa tem mais facilidade de atrair compradores do exterior, que têm normas rígidas ambientais a cumprir", explica Borba.
O Brasil produz 600 mil toneladas de óleo de palma por ano, das quais 25% são produzidas pela Agropalma. Com seis indústrias de extração de óleo bruto, duas refinarias e um terminal de exportação alfandegado, a empresa emprega cerca de 5 mil colaboradores.