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SÃO PAULO - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) está prevendo crescimento nulo da economia neste ano, com Produto Interno Bruto (PIB) mostrando variação zero perante 2008. A estimativa anterior da entidade era de crescimento de 2,4%.

Na avaliação da CNI, a recuperação da economia doméstica "dependerá em grande medida" da solução dos problemas da economia internacional.

A previsão da CNI é de que o setor industrial será o mais afetado, sobretudo os setores exportadores. A retração no setor é estimada em 2,8% neste ano, o que significaria a primeiro baixa da atividade industrial desde 2001. Na previsão anterior, a expectativa era de aumento de 1,8%, já inferior às variações positivas superiores a 4% apuradas nos últimos dois anos.

O Informe Conjuntural da CNI referente aos primeiros três meses deste ano, divulgado hoje, também informa perspectiva negativa de 0,9% para o consumo das famílias neste ano e queda de 4,4% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos. A FBCF cresceu 13,8% no ano passado e a previsão anterior da CNI indicava alta de mais 3% este ano.

Já para a taxa de desemprego a perspectiva é de avanço para 9,1%, ante previsão anterior de 8,2%. Em 2008, a taxa foi de 7,9%. Na avaliação da CNI as iniciativas do governo para reativar o crédito e sustentar a demanda mostram sucesso "relativo".

Assim como o mercado financeiro, a CNI também prevê inflação abaixo do centro da meta de 4,50%, com o IPCA fechando 2009 em 4,2%. Com a política de juros declinantes em andamento, a CNI estima taxa média nominal de juros de 10,2%, devendo chegar a dezembro em 9%. Já o juro real deflacionado pelo IPCA ficaria em 5,2%.

A CNI volta a avaliar em seu relatório trimestral que o Banco Central "tardou" para atuar em relação aos juros e que levar a taxa para um dígito é "indispensável" para reativar a economia.

No que se refere à política fiscal, a CNI defende políticas anticíclicas, mas alerta para o cuidado necessário para o futuro das contas públicas. A entidade projeta redução do superávit primário para 2,7% do PIB, abaixo da previsão anterior de 3,3%. O déficit nominal deve acelerar para 2,1% do PIB e a dívida pública líquida avançar para 37,89% do PIB.

(Valor Online)

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