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BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) discorda da leitura do Banco Central (BC) de que existiria pressão inflacionária em alguns setores industriais. Para a entidade, os índices de inflação têm captado impactos de outras áreas, como serviços ou commodities minerais, uma vez que os preços na indústria estariam "bem comportados".

BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) discorda da leitura do Banco Central (BC) de que existiria pressão inflacionária em alguns setores industriais. Para a entidade, os índices de inflação têm captado impactos de outras áreas, como serviços ou commodities minerais, uma vez que os preços na indústria estariam "bem comportados". Ao divulgar indicadores da indústria de transformação relativos a fevereiro, o economista-chefe da CNI, Flavio Castelo Branco, destacou que a recuperação da atividade não tem pressionado o uso da capacidade do parque fabril. Ele destacou que o indicador ficou em 80,4%, cerca de 3 pontos percentuais inferior à média apurada durante o forte aquecimento econômico de 2008. E há sinais de novos investimentos, além dos que voltaram a ser feitos no ano passado. "A CNI não compartilha da visão do Banco Central. Não se pode reduzir a ociosidade como se fosse um malefício ao crescimento. Na verdade, essa redução mostra a necessidade de se promover novos investimentos", disse Castelo Branco. "O descompasso maior entre oferta e a demanda interna ocorreu, mesmo, no ano passado, com a brutal ociosidade das fábricas pela crise. Agora, a indústria está se recompondo", disse ele, indicando que há espaço para o uso da capacidade instalada crescer. Castelo Branco destacou ainda que as intempéries podem elevar preços de setores como hortifrutigranjeiros. "Estes, sim, podem pressionar a inflação", comentou. Ele citou que a entidade só dispõe de informações indiretas sobre investimentos no segmento. Mas dados sobre importação e produção local de bens de capitais, assim como aumento de financiamentos do BNDES, apontam para alta dos investimentos nesse início de ano. "O setor de máquinas e equipamentos nacional deve ser um dos que mais crescerão em 2010", destacou Castelo Branco. As vendas reais do setor aumentaram 27,7% em relação a fevereiro de 2009 e 24,9% entre janeiro e fevereiro deste ano sobre igual período do ano passado. (Azelma Rodrigues | Valor)
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