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A 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas, que começa na segunda-feira, em Copenhague, não resultará em um acordo dos sonhos dos chefes de Estado e de governo. A previsão foi feita ontem, em Berlim, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Enquanto Lula ressaltou a necessidade de os países ricos ajudarem os menos desenvolvidos, Merkel pediu compromisso dos emergentes. "Não faremos o acordo do sonho da Angela Merkel nem do meu nem de nenhum presidente da República", disse Lula. O tema dominou a entrevista na primeira visita oficial de Lula ao país.

Lula se declarou otimista, mas disse que a ambição do acordo é limitada por temas internos. "Cada presidente tomará decisões em função de sua política interna e da correlação de forças de seu país", afirmou. "Não tenho dúvidas de que, se dependesse do presidente Obama, os EUA teriam um número mais arrojado do que o levado ao Congresso."

Merkel pediu um compromisso com metas vinculativas e diferenciadas, segundo o desenvolvimento de cada nação. Também falou em compromisso dos emergentes e elogiou o Brasil e seu plano de redução de emissões. "Estamos conscientes da responsabilidade dos países desenvolvidos, mas, se só os industrializados reduzirem as emissões, não conseguiremos resolver o problema."

A proposta do Brasil de reduzir de 36,1% a 38,9% as emissões de gases-estufa entre 36,1% e 38,9% em relação ao que o País emitiria em 2020 foi chamada por Lula de meta - antes o governo classificava de "objetivo não vinculante", ou seja, voluntário. Lula destacou que o Congresso aprovou a proposta, tornando-a obrigatória.

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