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Cerca de 3,1 milhões de pessoas das classes D e E migraram para o segmento C entre 2008 e 2009

Pela primeira vez na história do País mais da metade da população de todo o território nacional passou a compor a classe média. Cerca de 3,1 milhões de pessoas das classes D e E migraram para o segmento C entre 2008 e 2009. Com isso, 94,9 milhões de pessoas compunham a classe média no ano passado, num total de 50,5% da população. Em 2008, o percentual era de 49,2%.

As informações constam da pesquisa A Nova Classe Média : o Lado Brilhante dos Pobres , do Centro de Estudos Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A entidade considera a classe C famílias com renda mensal de R$1.126 a R$4.854; classe B de R$4.854 a R$6.229, e no topo da pirâmide social (classe A) rendimentos acima deste valor.

“A classe média era um pouco mais de 1/3 (37%) da população há apenas oito anos. Agora ela é metade da população. 2009 definitivamente não foi um ano de crise nas estatísticas sociais”, afirmou o autor da pesquisa, Marcelo Neri, chefe do Centro de Estudos Sociais da Fundação Getúlio Vargas.

Pesquisas anteriores baseadas em dados das maiores capitais brasileiras já mostravam o crescimento da classe média num ritmo acelerado. Mas é a primeira vez que a FGV capta uma classe média com mais de 50% da população a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD). Até então isso só havia ocorrido nas seis metrópoles investigadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

A pobreza, representada pela classe E com 28,8 milhões de pessoas, recuou 4,34% em plena crise. Um milhão de pessoas cruzaram a linha da miséria em 2009. A classe D, com renda mensal familiar de R$ 705 a R$ 1.126, por sua vez, encolheu 3%.

Também alargaram espaço na pirâmide social as classes B (3,49%) e a A (0,18%). A transferência dos mais pobres para os extratos de renda mais abastados da pirâmide retrata, segundo Neri, crescimento econômico combinado com distribuição de renda.

Se por um lado o Produto Interno Bruto (PIB) não cresceu em 2009, a renda média do trabalhador brasileiro ficou 2% maior. Acontece que as Contas Nacionais, que resultam no cálculo do PIB, consideram o setor externo na hora de medir o conjunto de riquezas do País. A economia dependente do setor externo foi mal, mas a demanda doméstica e outras variáveis ligadas ao mercado interno continuaram crescendo.

Segundo o pesquisador, o movimento de ampliação da classe média é sustentável tanto pelo pontencial de geração de renda quanto pela capacidade cada vez maior de consumo dos brasileiros. Ainda segundo Neri, o potencial de consumo aumentou 22,6%, entre 2003 e 2008, enquanto a capacidade de geração de renda subiu 31,2%. 

29 milhões em seis anos

Num balanço dos últimos sete anos, a pesquisa mostra que 29 milhões engrossaram a classe média, o que equivale a um crescimento de 34,3%. Para a classe AB, no mesmo período, migraram 6,6 milhões, num salto de 39,6%. E as classes menos favorecidas encolheram, refletindo diretamente a redução da miséria. Cerca de 20,5 milhões de brasileiros deixaram a pobreza, segundo a linha estimada em cerca de R$ 144 pela FGV.