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Quando encontrou uma rocha de 400 quilos de xisto cravejada com grandes cristais de esmeralda na mina da qual é sócio, o empresário paulista Elson Alves Ribeiro não deu muita importância. É uma combinação comum na região, alega.

"Claro que não em rochas tão grandes." A pedra encontrada em 2001, no distrito de Carnaíba, município de Pindobaçu (BA), a 414 quilômetros a noroeste de Salvador, é hoje alvo de uma disputa que ganhou as páginas policiais dos Estados Unidos.

Depois de um tempo pesquisando, Ribeiro se deu conta de que havia encontrado uma raridade. Ainda assim, não ficou muito animado: depois de uma primeira avaliação, ficou constatado que os cristais não tinham valor comercial para a fabricação de joias. A rocha serviria "apenas" para colecionadores.

Em 2005, Ribeiro resolveu enviar o achado para os Estados Unidos a uma "pessoa de confiança": o empresário californiano Ken Conetto. "Achamos que seria mais fácil achar um comprador lá", diz. Se o americano negociasse a pedra, daria uma participação em suas minas de sílica no Estado do Colorado a Ribeiro e a seu sócio, Ruy Saraiva Filho. "Seria 25%", diz Saraiva.

Desde lá, a história ganhou as páginas policiais dos EUA. Segundo reportagem publicada no The Wall Street Journal, cinco pessoas, todas com documentações diversas, reivindicam a propriedade da pedra, que está guardada desde dezembro no Departamento de Polícia de Los Angeles, na Califórnia, depois de ter sido localizada em um depósito de segurança em Las Vegas.

Alguns afirmam ter comprado a rocha diretamente dos brasileiros. Ribeiro e Saraiva negam. Outros alegam que a rocha foi oferecida por Conetto como garantia de empréstimos - entre eles está um ex-sócio do californiano, chamado Larry Biegler. Conetto nega. Outros, ainda, afirmam ter comprado a rocha de Biegler - que também nega. Esta semana, o tribunal de Los Angeles começa a ouvir os reclamantes.

De acordo com o jornal americano, uma avaliação feita no Brasil fixou o preço da pedra em US$ 372 milhões, de acordo com documentos apresentados ao Tribunal de Los Angeles. Nem Ribeiro, nem Saraiva, confirma o dado - mas não falam do valor alcançado pelas avaliações. "É uma raridade e, pelo que a gente tem conhecimento, não há outra dessas no mundo, mas esse valor é muito alto", diz Ribeiro.

"A pedra pertence a Ken Conetto", sentencia o empresário paulista, que ainda não conseguiu um único centavo com o mineral. "Espero que a situação se resolva logo", completa Saraiva. "Essa pedra acabou virando uma grande dor de cabeça para a gente."
Enquanto aguardam a solução para o impasse, Ribeiro e Saraiva continuam as escavações na mina, na esperança de achar outra raridade "igual ou maior". "Já estamos a 270 metros de profundidade, chegando a 280", diz Ribeiro. "Está difícil, mas vamos encontrar."

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