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Entre 16 setores com investimentos para o período de 2009 a 2012 levantados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em agosto do ano passado, antes do agravamento da crise, a partir de setembro de 2008, apenas cinco cortaram investimento por causa da crise, de acordo com o banco de fomento. São eles: siderurgia, papel e celulose, extrativa mineral, automotivo e construção residencial.

Juntos esses cinco setores reduziram investimentos em R$ 124,5 bilhões, passando de R$ 765,1 bilhões em agosto para R$ 640,6 bilhões em dezembro, respondendo por boa parte da diminuição total entre os dois levantamentos, de R$ 1,461 trilhão para R$ 1,305 trilhão, divulgada na semana passada.

Três desses cinco setores estão associados à exportação de matérias-primas (commodities) - extrativa mineral, que é basicamente minerais, sem petróleo e gás (de R$ 72,3 bilhões em agosto para R$ 48 bilhões em dezembro); siderurgia (de R$ 60,5 bilhões para R$ 24,5 bilhões) e papel e celulose (de R$ 26,7 bilhões para R$ 9 bilhões). Os outros dois setores nesse grupo dependem muito de crédito: construção residencial (de R$ 560,4 bilhões para R$ 535,7 bilhões) e automotivo (de R$ 35,3 bilhões para R$ 23,5 bilhões).

"Dado que a gente tem a maior crise da economia mundial desde 1930, a redução de cerca de 11% nos investimentos para quatro anos (no total entre os levantamentos de agosto e dezembro) não é grande. Há redução? Há, mas muito suave, dada a gravidade da crise", diz o economista Gilberto Rodrigues Borça Júnior, um dos autores do estudo do BNDES "Perspectivas de investimentos 2009/2012 em um contexto de crise".

Há um grupo de três setores - sucroalcooleiro, ferrovias e portos - que reduziram investimentos por outros motivos, de R$ 71 bilhões para R$ 43,9 bilhões. "No início de 2008 já havia superinvestimento no setor sucroalcooleiro", considera Fernando Puga, que também assina o trabalho com Borça Júnior, Ernani Teixeira Filho e Marcelo Machado Nascimento. No sucroalcooleiro, a queda foi de R$ 28,5 bilhões para R$ 19,7 bilhões. Em relação a ferrovias e portos, os motivos estão mais associados a questões regulatórias, de acordo com Puga.

Sem alteração

Há um grupo formado por oito setores, entre os 16 analisados, que tendem a continuar com investimentos firmes apesar do agravamento da crise. Esses tiveram variação de previsão de investimentos para 2009 a 2012, de apenas R$ 624,5 bilhões, em agosto, antes do agravamento da crise, para R$ 620,4 bilhões em dezembro. Borça Júnior destaca petróleo e gás (R$ 269,7 bilhões, sem alteração entre os dois levantamentos); energia elétrica (R$ 141,1 bilhões, também sem mudança) e telecomunicações (R$ 77,8 bilhões, em ambos os casos) como setores com peso grande na economia nacional. "Com o novo plano da Petrobras, o valor para petróleo e gás aumentaria uns R$ 30 bilhões", observa Puga.

Além desses, os setores que ficaram sem alteração entre os levantamentos de agosto e dezembro para os investimentos de 2009 a 2012 foram: saneamento (R$ 49,4 bilhões); petroquímica (R$ 23,7 bilhões) e indústria da saúde (R$ 8 bilhões). Também estão nesse grupo, dois setores que tiveram reduções pequenas com a revisão de dezembro: rodovias (de R$ 27,8 bilhões para R$ 26,7 bilhões) e eletroeletrônica (de R$ 27 bilhões para R$ 24 bilhões).

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