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A China anunciou ontem investimento de US$ 30 bilhões na construção de uma usina siderúrgica que poderá ser a maior do país e a quinta maior do mundo, com capacidade de 30 milhões de toneladas de aço por ano - o equivalente a quase toda a produção do Brasil em 2007, de 34 milhões de toneladas. O valor que será usado na construção da nova indústria é 7,5 vezes maior que o custo da Companhia Siderúrgica do Atlântico, que a alemã ThyssenKrupp constrói no Rio de Janeiro em parceria com a Vale e que produzirá 5 milhões de toneladas de aço por ano a partir de 2009.

A nova usina faz parte do projeto chinês de consolidar e modernizar seu setor siderúrgico, extremamente fragmentado.

O país já é de longe o maior fabricante de aço do mundo, com 489 milhões de toneladas (mmt) no ano passado, quantia que supera a soma da produção dos sete países que aparecem em seguida no ranking: Japão (120 mmt), Estados Unidos (98 mmt), Rússia (72,4 mmt), Índia (53 mmt), Coréia do Sul (51,5 mmt), Alemanha (48,6 mmt) e Ucrânia (42,8 mmt).

Entre 2006 e 2007, a China elevou sua produção em 66,2 milhões de toneladas, o dobro do que foi fabricado no Brasil. No ano passado, o país asiático entregou 36% de todo o aço produzido no mundo.

Com o aumento de sua capacidade siderúrgica, a China se tornou o principal comprador de minério de ferro do Brasil e o maior cliente da Vale - o produto é a matéria-prima do aço e seu preço disparou nos últimos anos com a demanda do país asiático.

De acordo com a imprensa oficial chinesa, a usina será construída em parceria entre o quarto maior fabricante de aço do país, o Wuhan Iron and Steel Group, e o governo da província de Guangxi, no sul do país, sede do novo projeto.

O grupo Wuhan terá participação de 80% no investimento e os 20% restantes serão integrados com ativos de outra siderúrgica, a Liuzhou Iron and Steel Group, que pertence à província de Guangxi.

Com a fusão, as duas empresas fecharão linhas de produção obsoletas com capacidade de fabricar 9,1 milhões de toneladas de aço por ano e 5,41 milhões de toneladas de ferro por ano.

O governador de Guangxi, Ma Biao, afirmou que a usina estará totalmente concluída em quatro anos e que a primeira fase de operação terá início em dois anos e meio. A capacidade de produção de 30 milhões de toneladas/ano supera a detida hoje pela Baosteel, maior siderúrgica chinesa e quinta maior do mundo, com 28,6 milhões de toneladas produzidas no ano passado.

Além de reduzir a fragmentação do setor, a reestruturação promovida pelo governo chinês tem o objetivo de aumentar a competitividade das usinas e reduzir seus custos de transporte, por meio da transferência das plantas do interior para regiões costeiras. Mudanças semelhantes já foram realizadas nas províncias de Guangdong, Shandong e Hebei.

Pequim não admite oficialmente, mas outro dos efeitos da concentração das usinas é aumentar o controle do governo central sobre sua produção, nem sempre efetivo atualmente. Quando a economia mostrou sinais de superaquecimento nos últimos anos, as autoridades da capital tiveram dificuldade para frear a atividade das centenas de usinas espalhadas pelo país, mais sujeitas à influência dos governos provinciais.

O vertiginoso aumento da produção chinesa é considerado a maior ameaça ao setor siderúrgico global pelos fabricantes instalados fora do país. Em poucos anos, a China deixou de ser importadora de aço e se transformou na maior exportadora, com venda de 51,7 milhões de toneladas ao exterior em 2007, ou 32,6 milhões se forem consideradas apenas as exportações líquidas.

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