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SÃO PAULO - A expectativa com um novo plano de estímulo econômico na China instiga um pregão de forte valorização na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Qualquer notícia envolvendo o gigante asiático mexe com o preço das commodities e, consequentemente, com os principais papéis do Ibovespa.

Perto de 13 horas, o índice ganhava 4,56%, para 38.130 pontos, com giro financeiro em R$ 1,98 bilhão.

Liderando os ganhos pelo segundo dia, o papel PNA da Vale subia 8,52%, para R$ 28,00. Bom desempenho também para Petrobras PN, que valorizava 6,04%, para R$ 26,30. Entres as siderúrgicas, Usiminas PNA e CSN ON avançavam mais de 5% cada, para R$ 26,06 e R$ 32,23, respectivamente.

Além dos rumores quanto ao novo plano, outro fator que contribuiu para o tom positivo com relação à China foi a recuperação no índice de atividade industrial, que subiu de 45,3 pontos para 49 pontos.

Segundo o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, a notícia é bastante positiva, mas é temerário pensar que a China vai compensar a falta de dinamismo das economias de centro. " Pensar dessa forma é meio delirante " , observa.

De acordo com Perfeito, as bolsas sobem hoje por causa de uma série de fatores e essas indicações provenientes da China são um boa desculpa para as compras depois das recentes perdas.

É fato que a China tem uma grande capacidade de agir de forma mais poderosa em comparação com outras economias, mas Perfeito lembra que o momento ainda é de desaceleração.

Sinal claro disso foi o relatório de emprego a ADP. A empresa americana que processa folhas de pagamento apontou o fechamento de 697 mil postos de trabalho nos Estados Unidos durante o mês de fevereiro. Só setor industrial foram perdidas 338 mil vagas, marcando o 26º mês consecutivo de contração de emprego.

Além do lado real da economia, Perfeito lembra que os problemas que envolvem o setor financeiro persistem, com bancos atolado em ativos podres. Nota que, mesmo que o governo tire os ativos das instituições, o problema persiste, pois não há comprador para a parte boa.

" É melhor pecar por prudência do que correr riscos desnecessários no curto prazo " , resume o economista.

De volta ao âmbito corporativo, os bancos também ganham valor. Bradesco PN subia 2,97%, para R$ 20,40, Itaú PN valorizava 2,58%, a R$ 21,44, e Banco do Brasil ON apontava alta de 3,01%, a R$ 13,68.

Na ponta vendedora, Duratex PN segue perdendo valor depois de apresentar resultados trimestrais abaixo do esperado. O ativo recuava 5,45%, para R$ 12,66. Gafisa ON caía 1,42%, para R$ 8,97 e TAM PN recuava 1,29%, a R$ 15,30. A aérea ganhou recomendação de venda de corretora estrangeira.

Fora do índice, o destaque segue com o recibo de ação (BDR) da Agrenco, que depois de subir mais de 15%, há pouco, declinava 15,38%, para R$ 0,55. Está agendada para amanhã assembleia de credores que avaliará o plano de recuperação da trading agrícola.

Em Wall Street, os índices seguem oscilando em território positivo, com o bom humor global tirando parte do peso dados ruins sobre o mercado de trabalho. Há pouco, o Dow Jones aumentava 1,53%, aos 6.828 pontos. O S & P 500 ganhava 1,71%, a 708 pontos e o Nasdaq tinha expansão de 1,98%, para 1.347 pontos.

A melhora de sentimento que estimula compras nas bolsas também dá respaldo à venda de dólares, que volta a ser negociado abaixo dos R$ 2,40. Há pouco, o dólar comercial valia R$ 2,384 na venda, queda de 1,11%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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