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O movimento representa um significante relaxamento dos controles de câmbio do país

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A Administração Estatal de Câmbio da China (Safe, na sigla em inglês) afirmou que os exportadores chineses de algumas regiões do país serão autorizados a depositar parte de seus ganhos em moeda estrangeira no exterior dentro de um programa experimental. O movimento representa um significante relaxamento dos controles de câmbio do país. 

Atualmente, os exportadores estão pedindo para repatriar a maior parte de seus lucros em moeda estrangeira, que são geralmente convertidos para yuan com o banco central, contribuindo para a enorme acumulação de reservas cambiais da China. O país investe os recursos em moeda estrangeira em ativos, como os Treasuries, os títulos do Tesouro dos EUA. 

De acordo com o programa experimental, que será iniciado no dia 1º de outubro, os exportadores de Pequim e das províncias de Guangdong, Shandong e Jiangsu poderão depositar parte de seus ganhos em moeda estrangeira no exterior, afirmou o órgão. A província de Guangdon, no sul do país, e as províncias de Jiangsu e Shandong, que ficam na costa leste, são economicamente importantes, com uma alta concentração de empresas exportadoras. 

"O programa faz parte de um movimento para ampliar a privatização dos ativos em moeda estrangeira da China", disse Tom Orlik, economista do Stone & McCarthy Research Associates. "No longo prazo, isso significará menos fluxos para os cofres da Safe e mais dinheiro para as empresas chinesas investirem no exterior." 

O economista do Bank of AmericaMerrill Lynch Ting Lu afirmou, no entanto, que "o movimento desta sexta-feira não terá nenhum impacto significante sobre a acumulação de reservas cambiais da China". "A pessoas vão preferir trazer seus ganhos em moeda estrangeira para o país e convertê-los para yuan, visto que a divisa chinesa poderá valorizar-se no futuro." 

Em julho, a Safe afirmou em comunicado que encorajava as empresas e as pessoas a adquirirem moeda estrangeira e investirem no câmbio, além de diversificarem as moedas que possuem, um processo que, segundo o órgão, "diminuiria enormemente a pressão do câmbio por estar concentrado nas mãos da nação." Segundo a Safe, as reservas oficiais em moeda estrangeira da China correspondiam a dois terços de todos os ativos cambiais do país, enquanto as do Japão representavam um sexto do total. 

As empresas terão um limite sobre quanto poderão depositar no exterior com base em suas receitas de exportação do ano passado, declarou a Safe, sem dar mais detalhes. Em um comunicado separado, a administração não disse como o programa afetará as reservas cambiais chinesas, apesar de ter afirmado que a medidas ajudarão o país a ajustar sua balança de pagamentos e os exportadores chineses a reduzirem seu financiamento no exterior e o custo das remessas. As informações são da Dow Jones.

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