Tamanho do texto

O Chile perdeu o equivalente a mais de 150 milhões de garrafas de vinho em consequência do terremoto de 8,8 graus ocorrido no último sábado.

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=economia%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1237561481033&_c_=MiGComponente_C

Os produtores chilenos de vinho calculam em US$ 250 milhões os prejuízos com os estragos. A Associação de Vinhos do Chile, entidade que reúne cerca de 90% dos produtores locais, divulgou uma estimativa de que a perda chega a 125 milhões de litros conservados em barris, já engarrafados ou armazenados.

Isso significa mais de 150 milhões de garrafas - o equivalente a um quarto do que é consumido pelo Brasil em um ano. A perda "comparada com a abundante colheita de 2009, que alcançou 1,1 bilhão de litros, equivale a 12,5%", informou a associação em nota enviada ao iG na tarde desta quarta-feira.

Safra do terremoto

A indústria do vinho do Chile é uma das mais dinâmicas do mundo. Exporta mais da metade de sua produção, gerando receitas superiores a US$ 1 bilhão por ano. A colheita de uva de 2010, que deve ser conhecida como "a safra do terremoto", começa neste fim de semana. E os produtores garantem que ela é a prioridade neste momento.

As vinícolas mais afetadas ficam nas regiões de Maule, Bio Bio e Itata, onde o governo chileno decretou estado de emergência. "A área com maior impacto é o coração da produção de vinhos", disse a vinícola Concha y Toro, a maior do Chile em produção e principal exportadora da bebida na América Latina. A empresa suspendeu por pelo menos uma semana sua fabricação e distribuição de vinhos.

Essas regiões, que concentram quase 40 vinícolas e ficam em parte do chamado Vale Central, estão próximas da cidade de Concepción, ao sul de Santiago. Entre as vinícolas, estão rótulos conhecidos produzidos por empresas como Canata, Calina, Carta Vieja, Casa Patronales, J. Bouchon, Terranoble e Via Wine Group.

Estragos na vinícola J Bouchon
O terremoto derrubou um muro antigo sobre parte dos barris da vinícola Julio Bouchon, afetando cerca de 10% da produção da safra de 2009.

"Isso significa algo como 150 mil litros, menos do que outras vinícolas que perderam 500 mil litros", informou ao iG por telefone Gabriela Iturralde, da vinícola J. Bouchon, criada há mais de 100 anos, que fica na região de Maule onde possui cerca de 350 hectares. O vinho engarrafado não foi afetado. A expectativa da vinícola é que a produção se normalize nos próximos dias.

Produtores de vinho como Miguel A. Torres tiveram 300 barris destruídos, uma cuba de aço inoxidável com capacidade de 100 mil litros quebrada além de milhares de garrafas perdidas. "Felizmente a estrutura principal do edifício resistiu ao terremoto, e a empresa espera em breve a recuperação", disse em comunicado.

Infraestrutura prejudicada

Os danos na infraestrutura de portos e rodovias não foram totalmente quantificados pela indústria de vinhos do Chile. A Casa Patronales, que tem sua adega e plantação numa das regiões mais afetadas, espera apenas a retomada da energia elétrica para voltar à normalidade, disse seu diretor comercial, Alexs Fuentealba, ao iG .

"Temos certeza que em curto prazo as encomendas e o cumprimento das obrigações comerciais retornarão à normalidade sem maiores problemas", diz a Associação de Vinhos do Chile, em nota, lembrando da necessidade de reforçar a imagem internacional do vinho chileno no exterior.

Pouco depois, uma mensagem enviada por e-mail por Constanza Aldea, porta-voz da associação dos produtores, alertava para o novo tremor em Santiago, de 5 graus, ocorrido nesta tarde de quarta-feira. "Não sei quanto vai durar isso, mas estamos otimistas. O que mais podemos fazer?"

Leia mais sobre: Chile

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.