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Caracas, 10 nov (EFE).- Por ordem do presidente Hugo Chávez, as Forças Armadas venezuelanas ocuparam hoje um aeroporto no nordeste do país, segundo ele, negado à petrolífera estatal PDVSA pelo governador regional de Sucre, Ramón Martínez, que ameaçou de prisão.

O presidente acusou Martínez de pretender desrespeitar o resultado da eleição regional de 23 de novembro e ameaçou-o, durante um comício de candidatos do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do qual faz parte, em Sucre.

"Vai terminar na prisão este asqueroso, traidor, mafioso!", gritou Chávez em seu discurso.

José Ramón Regnault, prefeito de Carúpano, onde se encontra o aeroporto, no estado de Sucre, disse aos jornalistas que a ordem presidencial foi executada sem incidentes por soldados da Guarda Nacional (GN, Polícia Militarizada), mas lamentou o ato.

"Deploramos que em uma democracia se imponha desta forma", disse o prefeito, acrescentando que qualquer transferência do aeroporto "deve passar por um processo administrativo prévio".

Além de negar à PDVSA o uso desse aeroporto, Chávez acusou ontem Ramón Martínez, eleito há quatro anos como seu aliado de pretender não entregar o cargo se perdê-lo na eleição que se aproxima.

Martínez rejeitou hoje a ameaça e negou que pretenda desrespeitar o resultado eleitoral porque, segundo ele, as pesquisas asseguram que a candidatura opositora a Chávez tem no estado "uma vantagem incontornável" de "mais de 15%".

Em declarações à emissora "União Rádio", Martínez reiterou que entregará seu cargo se perder a eleição e pediu a Chávez "que não utilize as Forças Armadas, porque não há necessidade de jorrar sangue".

Esta não é a primeira acusação antecipada de golpe de Chávez faz contra seus opositores em relação às próximas eleições regionais, que escolherão os governadores de 22 estados -20 vencidos por aliados de Chávez em 2004- além de 328 prefeitos e 233 legisladores provinciais, em sua maioria hoje alinhados ao Governo.

Em 25 de outubro, Chávez disse que seria um "plano militar" se a Prefeitura de Maracaibo, capital do Zulia, fosse vencida pelo líder opositor e atual governador desse estado, Manuel Rosales, a quem derrotou na eleição de dezembro de 2006, definindo sua continuidade no poder até 2013.

"É preciso impedir a burguesia" de ganhar Governos regionais e municipais porque sua intenção é levar a Venezuela "pelo caminho do golpe e da violência. Tratar de deter a revolução bolivariana e derrubar" seu Governo, acusou.

Segundo as pesquisas, em pelo menos 16 estados são altas as possibilidades de vitórias governistas. EFE ar/jp

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