Tamanho do texto

Com a expropriação de uma processadora de arroz da americana Cargill, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, abriu uma nova frente de batalha, agora contra as empresas privadas do setor de alimentos básicos.

Segundo o líder venezuelano, estas companhias privadas se empenham em "violar, de forma flagrante", as leis locais que garantem o acesso da população a alimentos baratos e de qualidade.

"Quero que sejam inspecionadas todas as fábricas que produzem farinha, óleo, papel higiêncio...", disse Chávez, prometendo o peso da lei contra os que querem prejudicar o povo.

Desde 2003, os alimentos da cesta básica são tabelados na Venezuela, mas há falta de arroz, café, leite, açúcar e outros produtos nos supermercados, em meio a uma inflação que superou os 40% em 2008.

Na noite de ontem, durante uma reunião de gabinete transmitida pela TV estatal, Chávez ordenou a expropriação da processadora de arroz da americana Cargill.

"Ouça bem o país a instrução que estou dando: iniciem o processo de expropriação da Cargill".

Chávez também determinou o início de uma "investigação judicial" sobre a empresa, afirmando que ocorreu uma "violação flagrante de tudo" que está previsto em sua estratégia de controle dos preços da cesta básica.

No sábado, Chávez havia ordenado a intervenção em várias processadoras de arroz para vigiar o cumprimento das cotas de produção do arroz branco, cujo preço é tabelado pelo governo.

O presidente afirma que vai expropriar todas as processadoras que não cumprirem as determinações do governo sobre produção e preços.

Outro alvo de Chávez é a processadora de arroz do grupo Polar, que também não cumpriria as cotas de produção do arroz tabelado, e está sob ameaça de expropriação.

Nesta quinta-feira, funcionários públicos iniciaram a ocupação das instalações da Cargill, no estado de Portuguesa.

Para o presidente da Confederação Venezuelana das Indústrias (Conindustria), Eduardo Gómez Sígala, estas medidas "estrangulam" a economia e são fruto do "desespero" de um governo que "busca responsabilidades em qualquer parte".

"Não há como inventar a produção de matérias primas quando não há produção no país (...) O governo tem manejado estes estoques, tem importado e destruído a produção interna, e agora surge com esta agressividade para se justificar".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.