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A Comissão para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgou nesta quarta-feira um balanço em Santiago, no Chile, no qual afirma que a América Latina crescerá 4,7% em 2008 e completará seis anos seguidos de expansão, apesar da alta dos alimentos e do petróleo.

Para o Brasil, o relatório prevê o décimo maior crescimento entre os países da região, porém, com índice de 4,8%, maior que a média geral.

O número divulgado para a América Latina é um ponto percentual menor que o de 2007. Segundo o relatório, a região completará cinco anos de aumento sustentado do Produto Interno Bruto (PIB) por habitante a uma taxa superior a 3%.

"Para encontrar um período similar na história econômica da América Latina e do Caribe seria preciso voltar 40 anos atrás", disse a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, ao divulgar o relatório.

"Temos que dar boas notícias, a região continua crescendo apesar da deterioração do cenário externo. Isto se deve ao seu melhor preparo para enfrentar as dificuldades", afirmou Bárcena, primeira mulher a ocupar o cargo de secretaria executiva da Cepal desde sua criação, em 1948. "Sem dúvida, o fato de a região seguir em crescimento constitui um acontecimento favorável," ressaltou.

O relatório também menciona que o crescimento da região em 2008 se fundamenta no superávit das contas correntes, em uma dívida menor, no aumento das reservas internacionais e na melhora dos termos de intercâmbio.

O texto ressalta, no entanto, existem alguns sinais de preocupação, em parte, por causa do aumento da inflação e, em outra, devido à provável continuidade por algum tempo da redução do crescimento regional observada este ano.

Com relação aos resultados mostrados pela atividade econômica, o relatório destaca uma significativa melhora dos indicadores do mercado do trabalho, com uma redução paulatina do desemprego desde 2003, que em 2007 foi de 8% e espera-se que este ano caia para 7,5%.

A Cepal destaca que o ciclo de expansão se traduziu em uma redução da pobreza, que desde 2002 acumula uma queda de nove pontos percentuais.

Isto se deve ao crescimento da economia, do emprego e à melhor qualidade do trabalho criado, assim como ao aumento da renda não salarial e às elevadas remessas e transferências dos trabalhadores emigrados, destaca o estudo.

O relatório mostra que a pobreza continua alta, atingindo mais de 35% da população e envolvendo 190 milhões de pessoas, número superior ao do início dos anos 80.

Para 2009, a Cepal projetou um crescimento moderado de 4%, devido principalmente ao prolongamento dos fenômenos que este ano afetaram a região, como a aceleração da inflação, o que provou um aumento nas taxas de juros, que também reflete no PIB.

O crescimento deste ano, segundo a Cepal, será liderado pelo Peru (8,3%). Logo depois vêm Panamá (8%), Uruguai (7,5%), Argentina (7%), Cuba (7%) e Venezuela (6%), seguida por República Dominicana (5,5%), Colômbia (5,3%), Paraguai (5%) e Brasil (4,8%).

A Bolívia crescerá 4,7%; Honduras, 4,5 %; Costa Rica e Guatemala, 4,3% e Chile, 4,2%, indica o relatório.

Mais abaixo estarão El Salvador (3,7%), Equador (3%), Haiti (3%) e Nicarágua (3%), enquanto México, com 2,5%, figura como o país de menor crescimento projetado.

Em 2008, segundo a Cepal, os fatores mais preocupantes são a desaceleração do crescimento global e a aceleração da taxa de inflação impulsionada pelo aumento dos preços dos alimentos, sobretudo nas economias em desenvolvimento.

Segundo o estudo, a inflação, que na média estará este ano entre 9% e 10%, levará a um aumento da pobreza na região com 15 milhões de novos pobres. A isso se soma a volatilidade e a incerteza nos mercados financeiros internacionais.

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