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O Centro-Oeste é a nova fronteira de expansão da produção de etanol no Brasil, na avaliação de José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, braço energético do Grupo Odebrecht. A região servirá como base estratégica de expansão da companhia nos próximos anos por causa da terra farta e ainda barata, comparada a outros centros produtivos, como o Sudeste.

O Centro-Oeste é a nova fronteira de expansão da produção de etanol no Brasil, na avaliação de José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, braço energético do Grupo Odebrecht. A região servirá como base estratégica de expansão da companhia nos próximos anos por causa da terra farta e ainda barata, comparada a outros centros produtivos, como o Sudeste. "Nossa aposta é que o Centro-Oeste será a região de vocação natural para a expansão da cana-de-açúcar e para a consolidação do negócio de energia." Das nove usinas da ETH, sete serão ali. São três em Mato Grosso do Sul (Costa Rica, Santa Luzia e Eldorado), três em Goiás (Rio Claro, Morro Vermelho e Água Emendada) e uma em Mato Grosso (Alto Taquari). A companhia tem duas usinas em São Paulo. Segundo Grubisich, a companhia investiu R$ 5 bilhões para a implantação inicial dessas usinas e há um programa de investimento de mais R$ 6 bilhões. "Criamos 8 mil empregos diretos e indiretos na região e seremos um de seus principais produtores de etanol." Não é por acaso que, de acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), entre 1990 e 2009 a participação da produção da região no total do País dobrou, passando de 6,5% para 13,6%. A ETH pretende ser líder em energia gerada por biomassa no Brasil e no mundo até 2012, com unidades integradas desde a produção agrícola até a de energia elétrica. No total, as nove usinas deverão produzir 3 bilhões de litros de etanol em 2012, além de uma capacidade de instalada para geração de energia de 1.200 MW. A receita deve chegar a R$ 4 bilhões. A aposta da empresa é que o mercado nacional de etanol vai receber um forte impulso da substituição de carros a gasolina pelos flexíveis, que rodam com ambos os combustíveis. Nas contas da ETH, mais de 80% dos veículos serão "flex fuel" até 2016, o que elevaria a demanda interna de atuais 24 bilhões para 65,8 bilhões de litros por ano. A frota deve passar de 24 milhões para 42,3 milhões de veículos. Além do combustível, a ETH projeta uma elevação de 1,7 bilhão para 4,2 bilhões de litros no consumo de etanol industrial no Brasil entre 2009 e 2016. Na arena internacional, a aposta é que os Estados Unidos relaxem as restrições à importação. O país vai precisar de 60 bilhões de litros de etanol para atender o mercado doméstico em 2016. O Japão é outro mercado potencial. O país deve adicionar 10% de álcool à gasolina nos próximos cinco anos, gerando demanda adicional no mercado externo de 6 bilhões de litros. Logística. A Região Centro-Sul ainda deverá receber aportes da empresa para a construção de um alcoolduto. A expectativa é de que o conselho da companhia aprove o projeto - de R$ 2 bilhões - em até 180 dias. "O duto é fundamental para reduzir os custos de logística e o impacto ambiental do transporte de álcool da região até o Porto de Santos." Segundo ele, o duto vai alavancar a rentabilidade das usinas da ETH na região, que ainda receberá investimentos da PMCC, da Petrobrás, cujo duto sairá de Senador Carneiro, em Goiás, e seguirá para Paulínia (SP). O executivo explicou que o duto da ETH, de 1.200 quilômetros, sairá de Alto Taquari, na divisa de Mato Grosso e Goiás, vai até a divisa de Goiás com Mato Grosso do Sul, depois Ribeirão Preto e Santos, já em São Paulo. A empresa espera atrair parceiros para este investimento.

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