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Os empresários da Região Centro-Oeste gostam de comparar a evolução da economia local com as dos tigres asiáticos. Razões não faltam, pois o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o Produto Interno Bruto mostrou que a economia da região cresceu 63,5% entre 1985 e 2007, bem acima da média nacional, que ficou em 39,8%.

Os empresários da Região Centro-Oeste gostam de comparar a evolução da economia local com as dos tigres asiáticos. Razões não faltam, pois o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o Produto Interno Bruto mostrou que a economia da região cresceu 63,5% entre 1985 e 2007, bem acima da média nacional, que ficou em 39,8%. O crescimento da economia de Mato Grosso foi o maior do País, de 111,5% no período, apesar da crise de rentabilidade do agronegócio que provocou uma queda de 4,6% em 2006. Segunda maior região brasileira em dimensão, com 1,6 milhão de km², abrangendo Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, o Centro-Oeste atrai todos os anos investidores e agricultores do mundo inteiro. Eles vêm conhecer de perto a imensidão das áreas planas de cultivo e o sucesso da tecnologia agrícola que viabilizou a exploração dos solos pobres do cerrado, fatores que colocaram a região no topo da lista entre as que têm maior potencial para, no futuro próximo, atender ao crescente aumento da demanda por alimentos no mundo. Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Agribussiness, Carlo Lovatelli, a experiência bem-sucedida da agricultura na região Centro-Oeste é o melhor exemplo da competência do agronegócio brasileiro e isto tem provocado admiração e inveja em muitos países. O temor da concorrência é a explicação dada por Lovatelli para as campanhas internacionais contra o agronegócio do Centro-Oeste, acusado de desmatar áreas de florestas ma Amazônia e no Cerrado. Aliás, conciliar o desenvolvimento com a preservação ambiental e revolver a logística precária que onera o transporte das cargas até os portos e centros de consumo são os principais desafios da região. Sem volta. Para o economista Guilherme Dias, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, a expansão da economia da região, com a instalação das indústrias de alimentos, é um caminho sem volta. Segundo ele, as indústrias confiam na fonte de produção e projetam uma produção mais consolidada, o que ainda não ocorreu com o oeste baiano e o sul do Maranhão. Mesmo com as questões ambientais e de logística, que devem ser revolvidas, diz ele, o potencial da região é imenso. Em sua análise, Dias afirma que o avanço da agroindústria para o Brasil central, onde cresce a produção de grãos, é estratégico, pois as empresas na Região Sul sabem que, no caso de uma desvalorização de cambial, todo estoque de milho para 15 dias de consumo será exportado. As indústrias do Paraná até o Rio Grande do Sul são obrigadas a carregar grandes estoques de produto acabado, para conviver com a oscilação de preços do milho, principal matéria-prima na produção de aves e suínos. Ele prevê que a expansão da agroindústria no Centro-Oeste também vai pôr em xeque a indústria tradicional de alimentos do Nordeste, que se sustenta com a importação dos insumos. O setor têxtil também está migrando para o Centro-Oeste, a exemplo do que ocorreu com as indústrias de aves e suínos, que na segunda metade da década de 80 se instalaram no sudoeste de Goiás, e mais recentemente no centro-norte de Mato Grosso, mais perto dos polos de fornecimento de matérias-primas. Três grande indústrias têxteis do Nordeste - Santana Textiles, Vicunha Têxtil e Têxtil Bezerra de Menezes (TBM) anunciaram investimentos de R$ 550 milhões na instalação de fábricas em Mato Grosso, maior produtor e exportador brasileiro de algodão. Mesmo com a desvantagem do alto custo da logística, que corrói grande parte da margem de lucros dos produtores, as exportações do agronegócio do Centro-Oeste nos últimos dez anos cresceram oito vezes, enquanto na média nacional o faturamento no período aumentou três vezes. No ano passado, exportações do agronegócio da região somaram US$ 12,8 bilhões, valor que corresponde a 91% das vendas externas da região. O destaque é o complexo soja, que respondeu por 57% das exportações da região. Somente a soja em grão respondeu por 39,2%. Aliás, este é outro problema apontado por Carlo Lovatelli, que também preside a Associação Brasileira das Indústrias de Soja (Abiove). Ele diz que a Região Centro-Oeste é uma das mais prejudicadas pela Lei Kandir, de 1996, que instituiu a isenção do ICMS na exportação de matérias-primas, sem desonerar o produto processado, o que penaliza a industrialização. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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