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Das cinco hidrovias brasileiras, apenas duas - a Tietê-Paraná e a Madeira-Amazonas - atendem o Centro-Oeste e, juntas, escoam somente 13% da produção agrícola da região. Embora considerem a modalidade de menor custo para o transporte de grãos, os produtores reclamam da distância dos portos, da baixa capacidade dos terminais de transbordo e até da falta de barcos.

Das cinco hidrovias brasileiras, apenas duas - a Tietê-Paraná e a Madeira-Amazonas - atendem o Centro-Oeste e, juntas, escoam somente 13% da produção agrícola da região. Embora considerem a modalidade de menor custo para o transporte de grãos, os produtores reclamam da distância dos portos, da baixa capacidade dos terminais de transbordo e até da falta de barcos. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, defende a construção da Hidrovia Teles Pires-Tapajós para ligar o norte de Mato Grosso a Santarém, no Pará, criando um novo caminho para a soja chegar ao Atlântico. Para ser navegável, o percurso de 1,6 mil km pelos dois rios precisa de obras que não foram incluídas nem na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Pelas contas de Silveira, a soja produzida em Sinop (MT), grande região produtora, que hoje viaja até o Porto de Paranaguá (PR) a um custo de R$ 220 por tonelada de grão, chegaria ao navio a um custo três vezes menor. "O frete mais caro do Brasil passaria a ser um dos mais baratos." De acordo com o coordenador-geral de Hidrovias e Portos Interiores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Wilson Izidorio Cruz, embora exista um projeto, não há previsão para a hidrovia se tornar operacional. "É um projeto de longo prazo", acentuou. Os investimentos do governo se concentram, segundo ele, nas obras da Hidrovia Tocantins-Araguaia, que atenderá cinco Estados - Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará. "Vamos inaugurar em setembro a eclusa de Tucuruí, necessária para a passagem dos barcos." O governo tem interesse na participação de empresas privadas em projetos de hidrovia, a exemplo do que fez, em 1997, o grupo do ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. Na época, o pai de Blairo, André Maggi, investiu na criação da hidrovia Madeira-Amazonas, hoje controlada pela Hermasa Navegação da Amazônia S.A., do grupo Maggi. Em 2009, a hidrovia transportou 3,2 milhões de toneladas de grãos do oeste de Mato Grosso ao porto de Belém. "A distância até o porto para o produtor da região diminuiu em mil quilômetros", disse Blairo. A soja da região de Sapezal segue de caminhão até Porto Velho. No terminal, os grãos vão para as barcaças e navegam 1.056 km pelos Rios Madeira e Amazonas, até o Porto de Itacoatiara, próximo de Manaus. Dali, são levados por outros 1.100 km até o Atlântico. Os produtores do sul de Mato Grosso, nordeste de Mato Grosso do Sul, Goiás e oeste de Minas Gerais têm como opção o sistema hidroviário Tietê-Paraná para escoar a produção pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Com 12 terminais, o sistema é o mais completo do País e movimentou, no ano passado, cerca de 5 milhões de toneladas. O terminal de São Simão (GO), no trecho norte, embarcou no ano passado 1,2 milhão de toneladas, basicamente de soja e farelo de soja. O trecho sul, que atinge o lago de Itaipu em Guaíra (PR), movimentou 2,1 milhão. Além do Rio Paraná, integram a hidrovia os rios Paranaíba, até Goiás; Grande, na divisa de São Paulo com Minas; Paranapanema e Tietê, no Estado de São Paulo. Apesar de cortar regiões de alta produção agrícola e mineral, apenas um quarto da capacidade da hidrovia é utilizado.

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