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Range Rover Evoque, lançado em novembro, tem ao menos 270 interessados na espera

Interesse é provocado pelo
Divulgação
Interesse é provocado pelo "design revolucionário", diz diretor da Caltabiano
O novo Range Rover Evoque , lançado no final do ano passado, tem sido responsável por uma situação pouco comum: clientes endinheirados que precisam enfrentar longas e demoradas filas para comprar o que desejam. Cerca de trezentos clientes estão em listas de espera para adquirir o carro, que custa R$ 174 mil no modelo mais básico e R$ 200 mil na opção mais vendida.

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Na rede Caltabiano, uma das três revendedoras autorizadas da Land Rover no País, existem 270 pessoas na espera para comprar o modelo. Quem entrar na fila agora, deve demorar até 120 dias para retirar o veículo. “É um modelo de enorme sucesso, com um design revolucionário, que deve responder por 40% a 50% das vendas da montadora no Brasil em 2012”, diz Denis Cicuto, diretor comercial da Caltabiano.

Apesar da colocação de itens opcionais atrasar a entregas de alguns carros premium, Cicuto deixa claro que o caso do Evoque é provocado por excesso de demanda. A Caltabiano tem 20 lojas e 85% das vendas do grupo estão ancoradas no setor de luxo.

"Isso é um sinal da mudança econômica pela qual está passando o País", afirma Silvio Laban, professor de marketing e coordenador dos programas de MBA Executivo do Insper. "Não acredito que seja algo negativo para as empresas envolvidas, porque significa que existe uma porção de pessoas com disposição de esperar e pagar por um valor que elas reconhecem no produto", diz.

Na definição dos especialistas do iG , o Evoque é mesmo um carro inovador e com desenho transgressor. "Meio SUV, meio crossover, o termo para o 'jipe urbano', o novo veículo da Land Rover é tão diferente a ponto de não ter concorrentes diretos". De qualquer forma, confira abaixo alguns modelos que poderiam substituir o Evoque, para clientes que não queriam esperar na fila:


Ainda que indique a alta procura por um carro, o segmento de revenda de veículos normalmente evita falar em filas. Quando uma rede admite o fato, pode passar a impressão de que não tem mercadoria suficiente para abastecer a clientela. “A fila não é necessariamente boa, pode fazer a pessoa desistir da compra”, diz Guilherme Passsalacqua, diretor de operações da Eurobike em Ribeirão Preto (SP).

“As filas vêm existindo nos últimos dois anos, quando houve aumento de demanda por carros mais caros, mas passamos a solicitar maiores remessas de produtos para as montadoras”, explica o diretor, cuja unidade vendeu 1.300 veículos de luxo novos – “tudo de R$ 100 mil para cima”, diz ele – no interior paulista em 2011, alta de 30% em relação ao ano anterior.

“Agora as montadoras começaram a abastecer melhor o mercado brasileiro”, acredita Cicuto. “Aconteceu uma mudança de postura. Nos últimos meses, por exemplo, os quatro vice-presidentes da Mercedes vieram ao Brasil. Antes, as montadoras mais importantes só mandavam o terceiro escalão para cá”, afirma.

Para Laban, do Insper, o risco que um consumidor poderia ter ao entrar numa fila é apenas cambial. "Se houver uma variação significativa do dólar no período de espera, o preço final do bem pode se alterar", explica.

As outras duas redes de concessionárias autorizadas da Land Rover, a Itavema e a Autostar, não comentaram o assunto, embora funcionários admitam que existe alguma fila pelo modelo. A Land Rover do Brasil também foi procurada diversas vezes e não atendeu à reportagem.

Filas imaginárias
Outros modelos consagrados que serão relançados em novas versões também provocam filas de compradores. Mas são “filas imaginárias”: como ainda não chegaram ao mercado, ninguém sabe se a lista de espera vai mesmo se converter em compras.

O novo Porsche 911 ainda não chegou ao Brasil e pelo menos 20 pessoas formam fila para comprá-lo, na Eurobike de Ribeirão Preto. O preço não está definido, mas o antecessor saía por R$ 495 mil. “Quem entrar na lista agora, vai aguardar até 90 dias para pegar o carro, após a chegada dele”, diz Passsalacqua.

A sequência do Porsche Boxter, cujo modelo anterior custava R$ 330 mil, também tem 30 interessados na espera. É um modelo de R$ 330 mil. Outro exemplo é a picape Dodge Ram, que a Chrysler deve relançar no Brasil, por preço em torno de R$ 150 mil. Na Caltabiano, 70 pessoas já estão cadastradas na espera.

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