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Bruxelas, 9 jan (EFE).- A Comissão Européia (CE) considerou hoje que já foram criadas todas as condições para o reatamento imediato das provisões de gás russo à União Européia (UE) através da Ucrânia e insistiu em que não há desculpa para manter o corte que deixou centenas de milhares de lares de vários países sem calefação.

Os primeiros especialistas europeus que supervisionarão o tráfego de gás russo chegaram hoje à Ucrânia e Bruxelas tem a promessa do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que uma vez que os observadores cheguem à fronteira russo-ucraniana as provisões serão retomadas.

"As condições foram acertadas. Não há desculpa para que não haja gás nos gasodutos", afirmou o porta-voz de Energia da CE, Ferrán Tarradellas, em entrevista coletiva.

Tarradellas reconheceu que, apesar do acordo com Rússia e Ucrânia sobre os observadores "não temos um compromisso formal sobre quando vão ser retomados os fluxos" do combustível, mas insistiu em que a provisão "deve ser retomada imediatamente".

No entanto, a chegada do gás russo aos consumidores europeus ainda atrasará "pelo menos três dias", período necessário por motivos técnicos e por causa das grandes distâncias para que uma vez que comece o bombeamento o combustível chegue à Europa Central.

No total, a UE enviará 18 especialistas de empresas de gás e de operadores de redes e quatro funcionários da Comissão Européia que coordenarão a operação.

Os observadores controlarão o volume de gás que chega da Rússia à Ucrânia, o gás que usado nos sistemas de compressão e o que sai de solo ucraniano rumo ao mercado europeu.

Enquanto isso, o Grupo de Coordenação de Gás - organismo que reúne especialistas dos 27 países do bloco europeu - propôs hoje aumentar ao máximo a produção de gás na Noruega e vários países da UE para compensar o corte do procedente da Rússia e aliviar a situação dos Estados-membros mais afetados.

Segundo explicou a CE em comunicado, a Holanda já se ofereceu para aumentar sua produção em 10% durante um período de duas semanas e Reino Unido, Romênia e Polônia também poderiam ampliar sua capacidade.

Além disso, o Grupo de Coordenação do Gás defende que os países façam o maior uso possível de suas reservas e que estas sejam compartilhadas com os mais afetados, como estão já fazendo Áustria e Eslovênia, e Hungria e Sérvia.

As medidas de emergência serão analisadas na segunda-feira pelos ministros de Energia dos 27 países em reunião extraordinária em Bruxelas.

Em paralelo, os especialistas do Grupo acham que a crise mostrou a necessidade de impulsionar mais do que nunca a diversificação das fontes de provisão e de melhorar a interconexão entre os Estados-membros e os países dos Bálcãs.

Dentro da UE, Eslováquia e Bulgária são os estados mais afetados pelos cortes de gás russo, pois perderam respectivamente 97% e 100% de sua provisão de gás e não têm possibilidade de ter acesso a outras fontes.

Segundo dados do Grupo de Coordenação do Gás, as reservas de gás búlgaras dão para apenas 2 ou 3 dias, enquanto o país tem combustíveis alternativos para 20 dias.

A Eslováquia tem reservas para várias semanas que cobrem 76% de sua demanda de gás e tem combustíveis alternativos para um mês.

Nos dois países foram impostas limitações ao uso de gás por parte da indústria, algo que também estabelecido temporariamente na Hungria para os grandes consumidores.

Fora da UE, Sérvia, Bósnia-Herzegóvina, Macedônia e Moldávia sofreram um corte de 100% de suas provisões de gás, com nulas capacidades de diversificação das demandas nos três últimos países e muito pequenas na Sérvia. EFE mvs/ma

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