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A cautela continua predominando entre as empresas interessadas em captar recursos via ações. As companhias preferem aguardar o desenrolar da crise antes de sair em busca de investidores.

Esse foi o tom das conversas com a Mastersaf e a Alog, duas empresas da área de tecnologia da informação (TI) que estão estudando as alternativas de financiamento para futura expansão das operações.

"Não temos planos imediatos, estamos apenas na fase de estudos e o advento da crise, é claro, nos faz ser mais cautelosos", comentou João Martinez Fortes Junior, diretor presidente da Mastersaf, empresa que oferece soluções eletrônicas para as áreas fiscal e tributária, e cujo carro chefe é a nota fiscal eletrônica. Ele explicou que os planos são levar seus produtos para o exterior, e para isso a companhia precisaria alavancar recursos no mercado para financiar a expansão. "Queremos ter uma divisão internacional até 2014, e até lá estamos avaliando com calma as alternativas para captar os recursos", disse.

Hoje a empresa é fechada e, de acordo com Fortes Jr, se financia exclusivamente com capital próprio, sem necessidade de recorrer aos bancos. A expansão externa, contudo, exigiria mais recursos, que poderiam ser obtidos no mercado de capitais, via uma oferta de ações na Bolsa, ou então em parceria com clientes ou mesmo com um sócio estratégico.

Mesmo para a Alog, empresa controlada pelo fundo de private equity Stratus, a decisão de ir a mercado não é tão óbvia. "Temos planos de crescimento que poderiam ser financiados pelo BNDES ou pela Finep, mas a Bolsa também está entre nossas opções para o futuro", afirmou Emanuel Dutra, diretor financeiro da Alog. A empresa pretende iniciar o processo de listagem no segmento Bovespa Mais, que é o mercado de balcão organizado administrado pela Bovespa. "Vamos listar a empresa ainda neste ano e posteriormente, caso o ambiente esteja propício, iremos realizar uma oferta de ações ao mercado", disse.

Dutra acredita que a listagem é uma boa maneira de apresentar a companhia, que atua no segmento de data centers, à comunidade de investidores. "Quanto mais os investidores conhecerem a nossa empresa e o nosso negócio, mais condições terão de fazer uma avaliação correta do valor da empresa e nosso potencial de crescimento", disse.

Ele comentou que a empresa viu as duas faces da crise no último trimestre. Ao mesmo tempo em que a turbulência motivou mais empresas a terceirizar a operação de data center, beneficiando empresas como a Alog, a alta do dólar encareceu a compra de equipamentos para dar suporte a essa expansão da carteira de clientes. No primeiro bimestre, disse, a empresa teve crescimento das vendas de 25% em comparação a igual período de 2008.

A Alog, a Masterstaf e a BSBios participaram hoje do 3º Encontro Bovespa Mais, iniciativa da Bolsa para aproximar empresas interessadas em abrir o capital dos agentes que possam viabilizar o processo.

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