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Se os países emergentes não atuarem em linha com nossas aspirações, nunca chegaremos aonde queremos estar

Agustín Carstens , presidente do Banco Central do México e principal candidato dos países emergentes para dirigir o Fundo Monetário Internacional (FMI), acusou os países europeus de não jogarem limpo na disputa para substituir o francês Dominique Strauss-Kahn à frente da instituição.

Em uma entrevista concedida ao "Financial Times", Carstens admite que enfrentará uma batalha bastante difícil contra a ministra de Economia francesa, Christine Lagarde , a candidata europeia, e fez uma apelo aos países emergentes para que o apoiem. "Se os países emergentes não atuarem em linha com nossas aspirações, nunca chegaremos aonde queremos estar. Se cedermos à 'igreja' europeia e tratarmos este assunto como sempre, as coisas nunca mudarão", declarou o candidato mexicano.

O ex-vice-diretor executivo do FMI, de 52 anos, defendeu que o novo diretor do Fundo seja eleito em um processo justo e aberto, baseado nos méritos dos postulantes ao cargo. "Os europeus não estão atuando dessa maneira (com justiça e transparência). Inclusive antes de termos uma lista final de candidatos, já se decidiram", criticou.

Na entrevista, Carstens também emitiu opinião contrária às políticas dos governos europeus no último ano, por não terem sido capazes de frear a crise de dívida na zona do euro e adverte que a incapacidade de atuar só trará mais problemas. Para ele, as economias europeias em dificuldades devem adotar o mais rápido possível medidas fiscais mais sólidas e reformas estruturais.

No entanto, considera que uma eventual moratória da dívida ou uma reestruturação da mesma deve ser o último recurso. "A reestruturação não é a solução mágica. Se não foram regulados outros aspectos, as economias não alcançarão uma situação sustentável", argumenta.

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