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Programas, voltados especialmente a universitários, garantem vivência multicultural, impulsionando a carreira

Quando percebeu que precisava aprimorar seu inglês, mas que seu orçamento não seria suficiente para arcar com os custos de uma viagem de estudo, Marcelo Barbarulo Borgheresi decidiu apostar em um programa de trabalho no exterior, também conhecido como Work&Travel.

Depois de avaliar algumas alternativas, Borgheresi, que na época cursava o terceiro ano de Engenharia Civil, embarcou para Lutsen, no estado americano de Minnesota. "Contratei uma agência que dá suporte e já acerta o acordo de trabalho. Fui para um hotel estação de ski com garantia de, no mínimo, 30 horas semanais de trabalho", conta o engenheiro.

Borgheresi: a experiência permite conhecer a dinâmica do trabalho em outros países
Arquivo pessoal
Borgheresi: a experiência permite conhecer a dinâmica do trabalho em outros países
Pouco depois de chegar, em dezembro de 2003, Borgheresi buscou outras atividades e chegou a ter três empregos. "No hotel eu atuava em serviços gerais. Além disso, consegui uma vaga no restaurante e na lavanderia. Trabalhava cerca de 15 horas por dia", afirma.

Com tanto esforço, ele conseguiu recuperar o valor investido na viagem, comprar algumas coisas e ainda voltar para casa com reserva. "Quem trabalha as 30 horas semanais consegue cobrir os custos da viagem", diz.

Perfil multicultural

O que Borgheresi trouxe de mais valioso foi a experiência de quatro meses de trabalho em um outro país, relacionando-se com pessoas de diversas nacionalidades. "É possível aprender a dinâmica da empresa e ver como as pessoas se organizam no dia a dia", afirma.

Para a coordenadora acadêmica da área de pessoas e da pós-graduação da ESPM, Adriana Gomes, o mercado, cada vez mais, busca esse profissional flexível, com a mente aberta e capacidade de adaptação. "Há demandas por profissionais multiculturais, já que o mercado hoje é global", diz.

A possibilidade de desenvolver a capacidade de lidar com diversas culturas e com situações novas é um dos grandes benefícios desse tipo de programa. "Essa modalidade permite um contato mais intenso com a cultura, pois possibilita entender o ritmo de trabalho, as crenças etc", afirma. Na opinião de Adriana, quanto mais cedo o jovem tiver uma experiência dessa - considerando a idade mínima de 18 anos na maioria dos casos - melhor. "As empresas gostam de contratar os jovens para que eles se desenvolvam na companhia. E a vivência no exterior conta pontos."

No mundo

A vivência de trabalho no exterior, além de aperfeiçoar o idioma e permitir o contato com outras culturais, ajuda a ampliar o nivel de independência do jovem. "Ele aprende a resolver diversas situações e a administrar seu dinheiro", diz Fabricio Valverde, diretor da regional São Paulo da agência World Study.

Ele explica que a maioria das oportunidade de emprego é para atividades mais operacionais. "Muitos dos jovens têm dificuldades com a língua, por isso se dedicam a funções que exigem menos interação", afirma.

Entre os locais mais procurados, segundo Valverde, estão Canadá, Austrália e Irlanda. "No Canadá o jovem pode ficar até um ano e o custo é atraente", afirma.

De acordo com o diretor, um programa de Work & Travel custa em média US$ 2,5 mil para três meses nos Estados Unidos, incluindo documentação, colocação no emprego, passagem aérea e consultoria da World Travel. O valor para o Canadá, que inclui documentação e assessoria do parceiro da World Study é, aproximadamente, US$ 2,8 mil para um ano. A acomodação, cobrada à parte, pode ser encontrada após a chegada do profissional.

Como cada país tem suas regras para esse programa, o melhor é decidir para onde pretende ir e avaliar cuidadosamente as condições.

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