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Com a falta de mão de obra qualificada, empresas treinam funcionários internamente

O transporte ferroviário de cargas no Brasil vem crescendo ao longo dos anos, desde a concessão das ferrovias para iniciativa privada – e com ele, a necessidade de contratação de mão de obra especializada.

Divulgação
Trem da ALL: movimentação de cargas deve atingir 530 milhões de toneladas neste ano
De 1997 até o final de 2010, a movimentação de cargas aumentou 86%, passando de 253,3 milhões de toneladas para 471,1 milhões de toneladas, de acordo com os dados da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF). "A previsão para esse ano é que atinja 530 milhões de toneladas", afirma Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).

De 2003 a 2010, a indústria ferroviária investiu mais de R$ 1,1 bilhão para modernizar, ampliar e construir fábricas, segundo Abate. Com isso, houve um significativo aumento da oferta de vagas no setor.

O número de empregos, diretos e indiretos, também cresceu desde que a iniciativa privada assumiu as ferrovias brasileiras. Para este ano, Abate acredita que o setor deve continuar crescendo, mas de forma mais sustentável. "Serão investimentos de manutenção do que já foi feito ao longo desses anos." Com isso, a previsão para este ano é que 43 mil profissionais estejam empregados, o que representa um aumento de 4.405 vagas, ou 11,4% em relação ao ano passado.

Segundo a ANTF, o aumento acumulado de 1997 a 2010 foi de 131,6%. Com isso, cresceu também a necessidade de qualificação dessa mão de obra, principalmente em funções das obras.

Ano Número de profissionais empregados
1997 16.662
2002 20.215
2007 33.254
2008 37.837
2009 36.788
2010 38.595
2011 (projeção) 43.000
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Associadas da ANTF

Na empresa de logística ALL, uma das principais concessionárias do setor, a previsão é de criar neste ano um número total de 3 mil vagas, sendo 2,7 mil para as áreas administrativas e operacionais e outras 300 para técnicos e especialistas. Além disso, em julho a companhia abrirá seu processo de seleção para o Programa de Trainee 2012, que não tem limite de vagas, mas tradicionalmente seleciona cerca de 20 candidatos.

Abate destaca que, mesmo assim, ainda falta mão de obra qualificada. Para isso, as concessionárias estão investindo muito em treinamento, com cursos de extensão e pós-graduação. Há também treinamentos oferecidos pelo Serviço Nacional da Indústria (Senai) e escolas técnicas de especialização em ferrovias. "O 'chão de fábrica' é qualificado internamente pelas empresas e pelo Senai. Nos casos mais técnicos e superiores, há os cursos de extensão." Na ALL, por exemplo, toda mão de obra qualificada da empresa é formada internamente.

Formação

Os profissionais nessa área, geralmente, possuem formação em Engenharia. Mas, segundo Abate, a Abifer está propondo, junto a universidades e centros de estudos específicos, elaborar um curso de graduação específico em Engenharia Ferroviária. "Há demanda de profissionais qualificados nesse setor em função do crescimento contínuo, mas apenas os cursos de extensão não são suficientes", destaca Abate.

Por isso, as empresas vêm optando por qualificar seus profissionais internamente. A ALL, que oferece programas de captação específicos para estagiários, recém-formados e engenheiros. A companhia também possui treinamentos técnicos para maquinistas, mecânicos e operadores de produção. Para isso, foi criada a Universidade ALL (UniALL), que coordena todo o modelo de treinamento, reciclagem e desenvolvimento.

A "universidade" da empresa possui treinamentos e capacitações específicas nas áreas de interesse do setor, como formação de supervisores, de operadores de produção, de motoristas, de técnicos, de maquinistas, e reciclagem de maquinistas. Nos módulos de formação técnica, a primeira etapa é desenvolvida ao longo de um ano pelo Senai, com treinamentos de base, conceituais e de teorias de introdução às áreas de mecânica, eletrônica e metrologia. A segunda etapa é totalmente desenvolvida na UniALL, com aperfeiçoamento das áreas e conhecimentos específicos do setor, totalizando, em ambas as etapas, mais de 560 horas de treinamento.

Hoje, 90% dos diretores, 92% dos gerentes e 80% dos coordenadores da ALL foram formados internamente.

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