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Maércio Rezende diz que não se deve confundir autoconfiança com vaidade

Ao longo de 37 anos de experiência, Maércio Rezende, CEO da Sygenta Europa, África, Oriente Médio, América Latina e Brasil ¿ empresa do setor agrícola ¿ foi colecionando vivências que ele conta agora no livro Juntando as peças ¿ Liderança na prática, da editora Saint Paul, lançado neste mês.

A obra foi estruturada em 11 capítulos e dividida em três partes. A primeira relata o impacto do líder, a segunda é destinada à descrição do desenvolvimento de uma plataforma para uma liderança efetiva e a terceira parte explica como liderar para resultados, contando com conceitos que vão da gestão da estratégia à inovação.

Antes de atingir o posto mais alto da companhia, Rezende atuou como diretor-geral da Syngenta Proteção de Cultivos na America Latina e Brasil e teve papel importante na estruturação dessa empresa, fruto da fusão entre as divisões agrícolas da Astra Zeneca e da Novartis. Depois, passou a comandar os negócios da Syngenta na Europa, África e Oriente Médio.

Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu ao iG por e-mail, dentro da seção "Caminhos de um CEO":

iG - Muitos jovens, quando perguntados o que vislumbram para suas carreiras, dizem que querem ser CEOs. O que significa, de fato, ser um CEO?
Maércio Rezende - Do ponto de vista da descrição de cargos, eu diria de uma forma simples que é a pessoa que têm a responsabilidade pelo resultado financeiro da empresa e pelo seu posicionamento estratégico tanto no presente quanto no futuro.  Mas sentar-se na cadeira de CEO também significa adotar uma agenda única do cargo e que não pode ser delegada. E juntamente com as possibilidades de realização que a posição confere, um sentimento mais agudo de responsabilidade e solidão a despeito do trabalho em equipe. 

iG - Na avaliação de sua carreira, o que o levou ao posto de CEO?
Rezende - No meu caso, o fato de ter começado numa empresa média respondendo ao presidente, e depois trabalhado muitos anos como gerente e diretor de marketing e vendas ajudou no desenvolvimento de uma visão estratégica e a importância do fator humano nos negócios. A experiência internacional ampliou muito o meu conhecimento de diferentes maneiras de fazer as coisas e a importância dos valores culturais. E um ponto que considero fundamental: a minha energia sempre foi voltada para gerar resultados na posição que eu ocupava naquele momento e não nas possibilidades de promoção futura.     

iG - Em seu livro "Juntando as peças", o senhor comenta sobre o papel crucial da liderança. Quais são as características principais de um líder atual?
Rezende - O mundo moderno exige que as empresas cultivem o desenvolvimento pleno do potencial das pessoas. Para isso, o líder atual deve ser capaz de administrar os dilemas e as aparentes contradições dos dias de hoje: a necessidade de ao mesmo tempo cultivar participação e disciplina, inovação e foco, curto e longo prazo, eficiência e criatividade. Há de uma série de ferramentas e modelos de gestão que permitem atingir esse objetivo os quais eu procuro descrever no livro a partir da minha experiência.

iG - Um bom líder necessariamente é um bom liderado? Existe como aprender a exercer bem esses dois papéis (líder e liderado)?
Rezende - Uma das características de um bom líder é ter uma forte orientação para resultados. Essa orientação implica em trabalho de equipe e saber ser liderado quando a situação assim determinar. Embora autoconfiança seja um fator chave para o exercício da liderança, pessoas com egos muito grandes têm dificuldades em exercer liderança efetiva em situações críticas que exigem reconhecimento de suas próprias limitações.

iG - Além das competências técnicas e domínio das informações sobre o negócio, quais são as características que o senhor indica que não podem faltar a um executivo de sucesso hoje?
Rezende - A educação, treinamento técnico e a experiência são a base. Mas, nos dias de hoje, para um líder ter um desempenho diferenciado, eu destaco no meu livro cinco características: disposição para o autoconhecimento, inteligência emocional, integridade, paixão pelo que faz e coragem.  

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