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Questionar demonstra interesse, mas é preciso saber o momento certo de interagir

Engana-se quem pensa que em uma entrevista de emprego o recrutador pergunta e o candidato deve se concentrar apenas em responder. Especialistas afirmam que o profissional não só pode como deve questionar o entrevistador durante o processo, entretanto é importante ficar atento aos sinais e à hora certa de falar. “Inicialmente, o candidato precisa se dedicar a mostrar suas habilidades e os resultados que já alcançou na carreira, ou seja, primeiro deve expor seu valor", afirma Daniela Ribeiro, especialista em recrutamento da consultoria Robert Half.

Mendes, da 2Get: perguntas sobre qualidade de vida podem ser perigosas
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Mendes, da 2Get: perguntas sobre qualidade de vida podem ser perigosas
Depois disso, cabe fazer perguntas para entender melhor a situação da empresa e as demandas da oportunidade. "Se o candidato fica quieto, perde pontos, pois não se expõe. Em cargos de liderança o profissional precisa se expor", diz Paulo Mendes, sócio da consultoria 2Get. Daniela concorda. "Não interagir pode evidenciar falta de interesse pela vaga. As perguntas ajudam a demonstrar motivação", destaca.

Questões positivas

Algumas perguntas contam pontos a favor do profissional e são bem vindas. Questões que ajudam a conhecer melhor a empresa, por exemplo, caem bem, mas é preciso atenção. "O candidato deve buscar informações sobre a companhia antes da entrevista, assim as indagações serão apenas para obter dados complementares", afirma Daniela.

Segundo ela, é preciso ficar atento para não perguntar sobre coisas que a empresa esperava que o profissional soubesse. "É importante que o profissional tente entender o momento da empresa, questionando sobre o crescimento, perspectivas, participação de mercado. Isso ajuda a identificar o que a companhia espera dele e ter uma ideia do ritmo de trabalho", comenta Mendes.

Questionar o que a empresa espera da pessoa que ocupará a vaga também é positivo, além de demonstrar interesse por feedback, incentivando o entrevistador a falar se algo da experiência do profissional não corresponde à oportunidade.

Pontos de atenção

Assuntos como remuneração e qualidade de vida exigem cuidados especiais. Na opinião de Daniela, com jeito, é possível entender se a carga de trabalho é muito pesada. "Se o candidato quer fazer perguntas sobre qualidade de vida deve dar um tom de curiosidade, não colocar a questão como impeditivo", diz. Já Mendes acredita que o melhor é não abordar o assunto. "Qualidade de vida todos querem e perguntar sobre isso pode dar a impressão de que a pessoa quer trabalhar menos", afirma. "Ao entender o momento da empresa, o profissional consegue ter sinais que remetem à qualidade de vida", explica Mendes.

Quando o tema é remuneração, Daniela acredita que isso não deve questionado no início da conversa. "Falar de dinheiro nos primeiros momentos pode mostrar que o profissional só está interessado no salário", diz. "Já vi pessoas sendo descartadas porque a empresa entendeu que estavam muito focadas em remuneração e que poderiam partir para outra oportunidade com salário maior a qualquer momento", explica Daniela.

Mendes aposta na transparência. "Se o salário é o que mais interessa, o candidato pode mostrar isso. Algumas vagas exigem profissionais ambiciosos", diz.

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